O Boticário anuncia troca da expressão ‘Black Friday’ para semana de descontos; entenda o motivo

Publicidade consciente. Nessa semana, o CEO do grupo Boticário, Artur Grynbaum, informou que não estará adotando a expressão ‘Black Friday’ para a maior semana de descontos do ano. De acordo com ele, a partir de agora a marca utilizará o termo Beauty Week, visando evitar possíveis interpretações de preconceito de cunho racial.  

O Boticário anuncia troca da expressão 'Black Friday' para semana de descontos; entenda o motivo (Imagem: Grupo Boticário/Divulgação)
O Boticário anuncia troca da expressão ‘Black Friday’ para semana de descontos; entenda o motivo (Imagem: Grupo Boticário/Divulgação)

Black Friday é conhecida nacionalmente como a maior semana de descontos em todo o setor varejistas. O evento, que acontece não só no Brasil, ganhou popularidade pela venda de produtos com valores até 70% mais baixos. Para este ano, o Boticário adotará a campanha, mas irá dar uma repaginada em seu visual.  

Em seu perfil do linkedin, Artur Grynbaum informou que irá modificar o termo para Beauty Week. De acordo com ele, a decisão visa evitar possíveis interpretações racistas relacionadas a questão da escravatura.  

“A dois meses da ‘Black Friday’, um dos períodos mais relevantes do ano para o varejo e a data mais importante para o comércio eletrônico em todo o mundo, nos deparamos com um incômodo recorrente: há anos conversamos sobre a possível origem do termo ‘Black Friday’, sobre a ausência de dados científicos que comprovem que ele realmente não se relaciona à questão da escravatura. Então, respeitando os movimentos que sentem desconforto com o termo, decidimos parar de refletir e começar a agir – não teremos mais o termo Black Friday no Grupo Boticário. Precisamos de algo maior, e essa transformação deve começar por nós. Esse movimento emergiu nas equipes do Grupo Boticário, a discussão ganhou força, e esse é o resultado”, escreveu. 

O CEO destacou ainda que, não há nenhuma evidência de que a tradicional temporada de descontos tenha similaridades com o tráfico de escravos, mas mediante a falta de comprovação científica e histórica prefere não mais utiliza-la.  

De acordo com ele, há um risco considerável de perdas para a empresa neste primeiro ano, mas ainda assim acredita que “melhor que esperar a perfeição, é construir juntos aquilo em que acreditamos”. 

A ação está prevista para o fim do mês de novembro e terá atuação tanto nas plataformas digitais como nas lojas físicas. 

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.