MEIs esperam por liberação do Pronampe para sobreviver à crise

Apesar do governo anunciar programas de incentivo em parceria com as instituições financeiras, os microempreendedores (MEIs) seguem sofrendo com a crise do novo coronavírus. Mesmo com o lançamento do Pronampeprojeto que facilita a concessão de empréstimo para as pequenas e médias empresas, diversas marcas continuam fechando suas portas devido ao atraso para ter os recursos liberados. Muitos proprietários estão encontrando barreiras nas instituições financeiras, tendo os seus financiamentos negados.  

MEIs esperam por liberação do Pronampe para sobreviver à crise (Imagem: Reprodução - Google)
MEIs esperam por liberação do Pronampe para sobreviver à crise (Imagem: Reprodução – Google)
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Marcio Ribeiro, de 59 anos, está entre os prejudicados. Dono de uma empresa de foto e vídeo, localizada no Rio de Janeiro, o MEI permanece sem reserva em suas caixas e acumulando as contas dos gastos mensais. Como solução temporária, ele tentou entrar em contato com os bancos privados para ter acesso a um empréstimo, mas admitiu não obter sucesso.  

De acordo com Marcio, as instituições seguem anunciando pacotes de financiamentos em suas campanhas publicitárias, mas a grande maioria só quer liberar os recursos para grandes marcas. No seu caso, por ter um negócio de pequeno porte, é visto como uma ameaça de dívida, tendo em vista a falta de poder aquisitivo para garantir maior segurança ao banco.  

Como segunda alternativa, o gestor buscou pela Caixa Econômica Federal, na esperança de ter acesso as linhas de créditos concedidas em parceria com o governo federal. No entanto, não obteve sucesso e também teve o pedido negado imediatamente.  

Segundo ele, a instituição justificou a decisão afirmando falta de garantia por parte do microempresário. O valor solicitado foi de R$ 15 mil, tendo uma carência de seis a 24 meses para concluir o pagamento.  

Mas, só conseguiu respostas na AgeRio que lhe ofereceu um empréstimo de R$ 3 mil, onde a carência para a finalização da conta era de 12 meses e uma aplicação de juros de 0,7% ao mês (8,75% ao ano).  

“Busquei linhas com juros baixos, mas a principal necessidade era ter uma carência porque o mercado ainda está todo fechado. Ninguém quer ser grau de risco para os bancos. Quem trabalha sério vai quitar a dívida com o tempo.” 

Além de Marcio, uma reportagem especial do portal G1 mostrou a realidade de uma série de MEIs que estão tendo os pedidos negados. De acordo com os especialistas, isso ocorre porque há uma falta de rotatividade nas agências bancárias, fazendo com que até mesmo as instituições vivenciem um período de instabilidade econômica. 

Eduarda AndradeEduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco e formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguagens. No mercado de trabalho, já passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de ter assessorado marcas nacionais como a Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.