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PONTOS CHAVES

  • Florianópolis não registra mortes por coronavírus há 1 mês
  • Prefeitura criou barreiras no aeroporto e aplicou testes gratuitos nas ruas 
  • Comércio foi o primeiro a retomar as atividades no país

Em meio ao holocausto da pandemia do novo coronavírus, cidade do Sul do país se destaca por suas medidas de prevenção. Enquanto a grande maioria das capitais brasileiras estão enfrentando graves dificuldades para conter o número de contaminados pelo covid-19, contabilizando mais de 500 mortes diárias, Florianópolis (SC), com 500 mil habitantes, registra 7 óbitos nos últimos três meses. De acordo com os dados oficiais da prefeitura, o último falecimento na região ocorreu no dia 4 de maio.  

Florianópolis se torna exemplo de combate ao Covid-19 sem registro de mortes há 1 mês (Imagem: Reprodução - Google)
Florianópolis se torna exemplo de combate ao Covid-19 sem registro de mortes há 1 mês (Imagem: Reprodução – Google)
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A chegada do novo coronavírus na cidade, ocorreu junto com demais casos em outras regiões. No dia 13 de março a prefeitura publicou o primeiro decreto do isolamento social e desde então vem atualizando as medidas obtendo sucesso no controle da doença.  

Dos 814 já confirmados, 807 foram recuperados. Os gestores e especialistas afirmam que o principal motivo do resultado positivo diz respeito ao cumprimento do isolamento social. Ao todo, a capital ficou paralisada por apenas 30 dias, mas continua mantendo normas de funcionamento e serviços de circulação de pessoas atualmente.   

“Já no dia 13 de março, tivemos o primeiro decreto para o isolamento social, um dos primeiros entre as capitais do Brasil. Tivemos praticamente uma quarentena estabelecida na nossa cidade”, explicou o prefeito Gean Loureiro (DEM), em entrevista ao Estado de Minas. 

Medidas adotadas 

Uma das primeiras decisões, de acordo com o gestor, foi a fiscalização no aeroporto internacional da cidade. Para evitar a chegada de novos infectados, foram instaladas barreiras sanitárias.

Ao desembarcarem, todos os passageiros eram submetidos ao teste de identificação do Covid-19, e ao sinal de qualquer sintoma foram orientados a ficarem 14 dias trancados em casa.  

Já nas ruas, a secretaria de saúde atuou também com a aplicação de exames. Os servidores públicos aplicaram testes na população considerada de maior zona de risco, atendendo cerca de 60 mil pessoas.  

“Isso permite que a gente, além de identificar a doença de maneira precoce, tratando para não chegar em estado grave, consiga testar todos os contatos dos últimos sete dias (de quem testou positivo). Estamos falando de pelo menos 10 mil idosos que iriam a unidades de saúde com o risco de contaminarem ou serem contaminados”, diz Loureiro. 

Para a fiscalização por parte da circulação de pessoas, os gestores aplicaram multas para quem descumprisse as normas sanitárias. Todos eram obrigados a andar de máscara e manter um distanciamento mínimo de 4 metros.  

Outra proposta que também ajudou foram as estratégias de comunicação. Os cidadãos estavam recebendo SMS’s da secretaria de saúde, sempre que um novo caso era confirmado a aproximadamente 200 metros de suas casas. A ideia era manter todos cientes da situação e conscientiza-los a permanecer em casa.  

“Foram disparados mais de 20 mil SMS (mensagens de texto) informando que existiam casos próximos. Isso começou a dar uma demonstração de que a doença estava mais próxima da pessoa do que ela imaginava”, afirma. 

Reabertura do comércio em Florianópolis 

As ações de retomada da economia em Florianópolis aconteceram também mais cedo do que o esperado. O comércio teve as portas reabertas ainda no dia 20 de abril e não resultou no aumento de contaminação. As lojas só atendiam um cliente por vez e deviam obrigar os funcionários a utilizarem os equipamentos de segurança.  

“Nas nossas medidas, levamos em conta um artigo que foi publicado na Universidade de Stanford, que é o The Hammer and the Dance (O Martelo e a Dança), que explica o combate nas cidades que tiveram sucesso. Você dá a martelada, que é praticamente uma quarentena geral. Nosso R0, que é o fator de transmissão, estava em 3,7 e caiu para 1,2. Mantivemos o isolamento. Hoje, é 0,89, com oscilação de 0,2 para cima ou para baixo. Isso significa que uma pessoa transmite para menos de uma pessoa. E a gente controla essa dança (reabertura da cidade)”, disse Loureiro. 

Os transportes públicos também voltaram a funcionar sob regimento especial. Há um limite de pessoas por veículo, os motoristas estão fazendo os testes para saber se estão com covid-19 e a população não pode realizar o pagamento em dinheiro, para evitar a contaminação. Por fim, todos seguem circulando de máscaras e recebem também álcool em gel para a higienização.

Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco e formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguagens. No mercado de trabalho, já passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de ter assessorado marcas nacionais como a Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.