Mesmo na Renda Fixa, ESTE fato fez milhões de pessoas ‘perderem’ dinheiro em março

Contrariando o senso comum, investimentos em renda fixa podem gerar enormes prejuízos aos desavisados. Aprenda a evitar isso nos seus investimentos!

Nem sempre o nome ajuda na hora de investir, renda fixa, pré-fixado e IPCA+ são exemplos de nomes que podem passar uma ideia de lucro garantido ou zero perdas no futuro, claro que isso não poderia estar mais errado.

Mesmo na Renda Fixa, ESTE fato fez milhões de pessoas ‘perderem’ dinheiro em março. (Foto: Pixabay)
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É necessário lembrar que o próprio Tesouro deixa isso bem claro na hora de confirmar seus investimentos, mas também é fato que nem todos têm a paciência de ler todas as condições antes de investir.

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Para quem está começando nos investimentos, pode ser estranho acompanhar a variação de títulos de renda fixa, já que o nome sugere um rendimento constante, mas na prática até esses títulos apresentam oscilações diárias e para entender como isso funciona precisamos entender como o mercado precifica os títulos de renda fixa.

Marcação a Mercado

Se você abrisse  a plataforma do Tesouro Direto hoje (02), encontraria alguns títulos disponíveis:

renda fixa
Títulos à venda (Fonte: Tesouro Direto)

Podemos separar em 3 tipos:

  • Tesouro Prefixado: O título garante um taxa definida no vencimento;
  • Tesouro Selic ou Pós-fixado: O título segue a taxa básica de juros;
  • Tesouro IPCA+: O título garante IPCA+ uma taxa definida no vencimento.

Como pode perceber, os títulos com taxas fixas ou acima da inflação só garantem essa rentabilidade no vencimento do papel, ou seja, o TESOURO PREFIXADO 2026 à venda hoje na plataforma, só garante os 7,35% ao ano para quem levar o título até o vencimento, 01/01/2026.

A mesma coisa vale para o IPCA+ e todos os títulos fora o Tesouro Selic. Para quem decidir fazer o resgate antecipado, recebe o valor de mercado do investimento, e é esse valor que varia diariamente.

O valor de mercado é variável devido às mudanças nos juros, o Tesouro está sempre alterando as taxas de cada título para acompanhar o movimento dos juros.

Assim, se você investe hoje no Tesouro Prefixado que usamos de exemplo e daqui um ano o mesmo título está na plataforma pagando 10% a.a., o seu papel será desvalorizado. Pois o mercado entende que para comprar o seu título deve te cobrar a diferença para a taxa atual.

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Parece complicado, mas na prática, os títulos pré-fixados e atrelados à inflação vão se desvalorizar toda vez que os juros subirem e se valorizar toda vez que os juros subirem.

Para quem não cogita um resgate antecipado a taxa permanece aquela do vencimento, já que o investidor vai segurar o papel até lá.

Para medir essas oscilações, a Anbima, instituição autorreguladora do mercado financeiro e bancário, possui alguns índices.

Cada índice representa uma carteira teórica de títulos públicos diferentes, os principais são:

  • IRF-M: Carteira com Tesouro Prefixado;
  • IMA-S: Carteira com Tesouro Selic;
  • IMA-B: Carteira com Tesouro IPCA+.
Desempenho dos títulos públicos em março. (Fonte: Anbima)

Agora que entendemos melhor o mecanismos de precificação podemos entender a causa dessa queda, principalmente no Tesouro IPCA+.

Queda no Tesouro IPCA+

Como já pontuei, os títulos atrelados à inflação e pré-fixados vão se desvalorizar todas as vezes que as taxas de juros subirem.

Mesmo com o recente corte na Selic Meta, é natural que os juros subam em meio à crises. Isso acontece porque o risco país sobe.

Assim como nosso score no serasa impacta nos juros de se pegar um empréstimo, a situação do país impacta nos juros do títulos públicos, quanto maior o risco, maior a taxa.

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No último artigo sobre desvalorização do Real, eu também coloquei alguns motivos que levaram à queda da confiança do mercado internacional para o Brasil.

Além da alta nos juros decorrente da crise, os títulos IPCA+ têm um vencimento mais distante, isso aumenta o impacto da queda, mas também da alta.

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Rentabilidade do Tesouro IPCA+ em 2019. (Fonte: Anbima)

Por fim, é importante lembrar que isso não desqualifica esses títulos. O movimento de oscilação é natural e se bem utilizado também pode trazer grandes rentabilidades, como foi no ano de 2019 e pode se repetir com a futura quedas dos juros.

Sandro MessaSandro Messa
Sandro Messa possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.