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Projeções econômicas do Banco Mundial, estimam que a atual crise do novo coronavírus vai reforçar a desigualdade entre países ricos e pobres. O processo de retomada econômica pode levar muitos países subdesenvolvidos à insolvência, quando não há recursos suficientes para pagar as dívidas internacionais.

Como o coronavírus afeta os países ricos e pobres?

A transmissão do Covid-19 já está presente em todos os continentes, a depressão econômica também afetará os países por todo o globo. Os países mais vulneráveis serão mais afetados, enquanto as grandes podem sair fortalecidas.

Todos os países têm adotado medidas de isolamento social e paralisação das atividades não essenciais. A estratégia têm se mostrado eficiente contra a pandemia, mas tem grandes custos financeiros.

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Com a paralisação das atividades lucrativas, os países já anunciam grandes quedas de PIB ao redor do mundo. Com empresas paradas e os trabalhadores em casa, os bancos centrais ao redor do mundo estão sendo obrigados a injetar altas quantias na economia.

Os incentivos serão necessários para salvar empresas da falência e os trabalhadores dos desemprego, porém os países mais pobres não têm os recursos necessários, em grande parte já encontram dificuldades com o pagamento da dívida externa.

As maiores economias como EUA, China e Alemanha, já anunciaram incentivos financeiros na casa de trilhões de dólares para manter a atividade produtiva. Enquanto isso, os países com menos recursos enfrentarão dificuldades até para garantir tratamento médico para a população afetada pelo novo coronavírus.

Seguindo o exemplo chinês, os países mais ricos, já conseguiu decretar medidas mais abruptas para conter a epidemia. Assim, o número de casos nesses países deve atingir um pico e depois se normalizar.

O combate ao contágio, já é um processo muito custoso que sobrecarrega os leitos hospitalares. A construção de hospitais, a produção de equipamentos médicos e a manutenção dos serviços essenciais em meio à crise têm drenado o caixa dos países em piores situações econômicas.

Retomada Econômica

Nos últimos anos, a cadeia produtiva global ficou cada vez mais complexa, isso significa que o mesmo produto, um celular por exemplo, tinha peças fabricadas em vários países diferentes.

Como uma grande linha de montagem, cada país assume um papel diferente na economia global. Os mais desenvolvidos se especializam nos processos com tecnologia de ponta, enquanto os países em desenvolvimento fornecem as matérias primas e a mão de obra não especializada.

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Esse processo pode ser muito diferente após a pandemia, com o fechamento em massa das fronteiras internacionais, cada país vai buscar mais autonomia nas cadeias de produção.

É justamente nesse ponto que os fornecedores de matérias primas saem mais prejudicados, os países desenvolvidos devem favorecer os produtores internos no período de retomada. A tendência é a intensificação de medidas protecionistas, quando um país aumenta os impostos sobre as importações para proteger a produção interna de um produto.

A queda para os países mais pobres será mais profunda, por isso o tempo de retomada também deve ser maior. Com um tempo de resposta mais rápido, as potências internacionais ganharão uma vantagem, ainda maior, sobre os países que passarem mais tempo em recessão.

O mesmo mecanismo se aplica às empresas privadas, as grandes empresas terão condições financeiras para atravessar o período de crise, enquanto as pequenas e média empresas correm o sério risco de fechar as portas.

Com isso, muitas grandes empresas e multinacionais podem preencher esses espaços deixados pelas empresas menores, aumentando sua área de atuação e concentração de capital.

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Ainda é cedo para determinar, com certeza, o tamanho dos efeitos e a profundidade dos estragos desta crise. O posicionamento do Brasil nos próximos dias vai definir como será o nosso cenário no futuro, os riscos econômicos e principalmente sociais de um movimento na direção errada são grandes demais para qualquer medida impensada.

COMENTÁRIOS

Sandro Campos possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como  Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.