Coronavírus: como a crise internacional afeta o seu emprego?

O número de infectados com o Covid-19 têm aumentado rapidamente nos últimos dias no Brasil. Até a quinta-feira (19), já contabiliza 621 casos do novo coronavírus, esse cenário não afeta apenas a saúde pública, mas a sociedade como um todo, inclusive o mercado de trabalho.

Como a transmissão é mais rápida em regiões mais populosas e com grandes aglomerações, os principais focos de contágio são também as cidades com mais postos de trabalho.

Como o novo coronavírus afeta o emprego?

Ainda estamos nas fases iniciais da epidemia e muitas pessoas continuam trabalhando normalmente, seja por necessidade financeira ou por estar em regiões pouco afetadas, mas podemos analisar casos de países mais afetados pelo vírus.

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Na Europa, que já ultrapassou a China em número de casos segundo a OMS, as principais montadoras como BMW, Renault, Fiat e Volkswagen anunciaram nesta semana o fechamento de suas fábricas. Os setores de aviação e turismo também tiveram suas atividades suspensas.

Na União Europeia, a situação dos trabalhadores ainda é menos grave, graças aos mecanismos de proteção ao trabalho subsidiados pelo governo e que garante que as pessoas podem ficar isoladas em casa recebendo um percentual do seu salário.

Já em países sem esse tipo de política pública, a situação é mais preocupante. Nos EUA, as regiões mais afetadas como New Rochelle, em Nova Iorque e cidades como São Francisco e Filadélfia foram completamente isoladas no início do mês de março e entraram em shutdown, quando todas as atividades não essenciais são suspensas.

Muitas empresas de tecnologia como o Facebook, já permitiram que os funcionários trabalhassem de casa, mas nem todos os setores têm esse benefício. Hotéis, indústrias e construção civil são exemplo de setores onde os trabalhadores podem ficar sem trabalho e sem salário.

Segundo a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA, 24% dos trabalhadores americanos não têm acesso a proteção de renda em casos de doenças, com as paralisações essas pessoas ficariam sem receber.

Situação atual no Brasil

No Brasil muitas empresas podem não suportar um longo período de paralisação, já que isso pode implicar em quedas no faturamento. O Ministério do Trabalho anunciou recentemente um pacote de medidas para evitar demissões em massa.

O pacote possibilitaria a diminuição de até 50% nas jornadas de trabalho e nos salários, incluem também flexibilizações nas contribuições com benefícios sociais/ para os funcionários.

As medidas valem para quem trabalha no regime da CLT. Segundo o IBGE, 38 milhões de brasileiros trabalham na informalidade e serão os mais afetados pela crise. O ministro da Economia anunciou na quarta-feira (18), em coletiva de imprensa, a criação de um vale de até R$ 200,00 para os brasileiros nessa situação.

O benefício será distribuído de acordo com o Cadastro Único e a emissão dos vouchers ficará sob a responsabilidade da Caixa Econômica Federal, a medida ainda depende da assinatura do presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo com a recomendação do Ministério da Saúde para que as pessoas fiquem o máximo possível em suas casas, quem precisa trabalhar para receber acaba ficando sem opção.

Além das aglomerações no transporte público, o contato com outras pessoas no ambiente de trabalho também é um meio de transmissão da doença. Na segunda-feira (16), uma empregada doméstica de 63 anos morreu infectada pelo Covid-19 no sul do Rio de Janeiro.

A Secretaria Municipal do Rio de Janeiro informou que a doméstica esteve em contato com a patroa que voltou recentemente da Itália e também foi testada positivamente para o coronavírus.

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Atualmente são mais de 6 milhões de domésticas segundo o IBGE. 68% dessa população não possui carteira assinada e precisará escolher entre ficar sem salário ou se expor à doença.

Segundo o protocolo oficial do Ministério de Saúde apenas os pacientes com sintomas graves estão sendo testados para o vírus, logo muitos trabalhadores podem já estar infectados sem apresentar sintomas e muito menos sendo testados para o coronavírus.

É de fundamental importância ampliar os esforços para diminuir o contato e a transmissão do novo coronavírus, assim como garantir a segurança social de toda a população durante o confinamento.

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Sandro Messa
Sandro Messa possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.
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