Mais de 416 mil pedidos de aposentadoria foram negados somente em janeiro de 2024, segundo dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Em muitos casos, o motivo não está somente na ausência do direito, mas também em erros evitáveis cometidos durante o processo.

(Foto: Jeane de Oliveira/FDR)
Quando a aposentadoria é indeferida, o trabalhador precisa recorrer, reunir novos documentos ou corrigir informações. Isso pode levar meses e em alguns casos, até anos. Portanto, entender as falhas mais comuns é o primeiro passo para evitar que isso aconteça.
6 erros que podem atrasar bastante a aposentadoria
O INSS tem prazos estabelecidos para analisar e conceder benefĂcios. De acordo com o Decreto nÂş 3.048/1999, o prazo Ă© de 45 dias, podendo ser prorrogado por mais 45 dias, totalizando atĂ© 90 dias.Â
Entretanto, atrasos na concessĂŁo sĂŁo frequentes, especialmente quando ocorrem equĂvocos por parte dos solicitantes. Dependendo da natureza do erro, o atraso na liberação ou no pedido da aposentadoria pode se estender por anos. AlĂ©m disso, pode exigir recursos demorados e frustrantes.
1. Desconhecer qual aposentadoria tem direito
Muita gente acredita que sĂł existe um tipo de aposentadoria. Mas, na prática, há diferentes modalidades: por idade, tempo de contribuição, invalidez, especial, hĂbrida, entre outras. Cada uma com requisitos especĂficos.
Ignorar essas diferenças pode levar ao pedido errado. O resultado? Indeferimento e necessidade de refazer todo o processo.
ApĂłs a Reforma da PrevidĂŞncia de 2019, surgiram novas regras de transição. Para quem já contribuĂa antes das mudanças, essas regras podem oferecer caminhos mais vantajosos. PorĂ©m, Ă© preciso conhecĂŞ-las e entender qual se aplica ao prĂłprio caso.
Sem essa análise, o trabalhador corre o risco de deixar de pedir a aposentadoria mais adequada ou, pior, solicitar uma que exige requisitos que ainda não foram cumpridos.
“Um exemplo comum ocorre quando um trabalhador, ao ser diagnosticado com uma doença crĂ´nica — como hĂ©rnia de disco, depressĂŁo grave ou lĂşpus — acredita que está automaticamente apto a se aposentar por invalidez e, por isso, dá entrada no pedido. No entanto, se a perĂcia mĂ©dica entender que a doença nĂŁo inviabiliza totalmente o exercĂcio de atividades laborativas, o benefĂcio pode ser negado. Em muitos casos, a pessoa permanece anos esperando uma resposta definitiva, acumulando laudos e recursos, sem retorno positivo, por nĂŁo conseguir provar a incapacidade para exercer sua função laborativa ou outra qualquer readaptada”, explica a advogada Tuany Prado, especialista em direito previdenciário.Â
2. Contribuições com erro no CNIS
O CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) Ă© o principal documento analisado pelo INSS para conceder a aposentadoria. Ele reĂşne todos os vĂnculos empregatĂcios e contribuições feitas ao longo da vida.
Por isso, qualquer erro nesse cadastro pode comprometer o cálculo do tempo de contribuição e do valor do benefĂcio. É comum encontrar dados faltando, salários de contribuição incorretos ou perĂodos nĂŁo reconhecidos.
Erros no CNIS geralmente ocorrem quando a empresa não repassa corretamente as informações ao INSS ou quando o próprio trabalhador faz contribuições como autônomo e não regulariza a situação.
Dessa forma, Ă© fundamental acompanhar o extrato do CNIS regularmente por meio do portal meu.inss, corrigir o que for necessário no INSS e guardar documentos que comprovem os vĂnculos, como holerites e carteira de trabalho.Â
3. Não considerar aposentadoria por tempo de contribuição
Com as mudanças na previdência, muitos trabalhadores acreditam que a aposentadoria por tempo de contribuição foi extinta, focando apenas na por idade.
Na verdade, essa modalidade segue regras de transição, como o sistema de pontos ou pedágio de 50% e 100%. Ignorar essas possibilidades pode fazer o segurado esperar mais tempo do que o necessário para pedir o benefĂcio.
Esse é um erro bastante comum de quem não entende as regras da previdência e não acompanha o próprio histórico de contribuições. Assim, consultar um especialista ou se informar com fontes confiáveis, como o portal FDR, pode fazer toda a diferença.
4. Estar com pendências ou erros na documentação
Mesmo que todas as contribuições estejam corretas, a aposentadoria pode atrasar por problemas nos documentos. O INSS exige provas consistentes de tempo de serviço e atividade profissional.
Faltam registros? Documentos rasurados? VĂnculos que nĂŁo aparecem no CNIS? Tudo isso precisa ser corrigido.
Alguns casos exigem documentos complementares, como a CTC (Certidão de Tempo de Contribuição), quando o trabalhador atuou em regimes diferentes, como CLT e funcionalismo público.
Outros exigem, como no caso de trabalhadores em áreas insalubres, o envio do PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), que precisa estar legĂvel e assinado.
Além disso, contribuições em atraso ou não reconhecidas precisam ser regularizadas antes do pedido. Cada pendência pode significar anos de espera ou a necessidade de um recurso administrativo.
Ao R7 NotĂcias, JoĂŁo Badari, especialista em direito previdenciário, destaca que os campeões no ranking de documentação incompleta sĂŁo: Aposentadoria rural; ConversĂŁo de perĂodo especial na aposentadoria por tempo de contribuição; e PensĂŁo por morte.
“Por isso, Ă© essencial que o segurado mantenha sua documentação em dia e busque orientação jurĂdica especializada se tiver dĂşvidas antes de protocolar o pedido de aposentadoria”, alerta a advogada Tuany Prado.Â
5. Dar entrada sem comprovar atividade rural ou especial
Trabalhadores rurais e aqueles expostos a agentes nocivos Ă saĂşde tĂŞm direito Ă aposentadoria especial. Mas esse benefĂcio sĂł Ă© concedido mediante comprovação adequada.
Muitos pedidos são indeferidos porque não há documentos que provem a atividade. No caso dos rurais, é preciso apresentar registros como notas fiscais, declarações sindicais ou Comprovante de cadastro do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
Já para os trabalhadores da área urbana em atividades insalubres, é obrigatório apresentar laudos técnicos e o PPP.
Sem essa documentação, o INSS não reconhece o direito ao tempo especial, o que pode atrasar, ou até inviabilizar, a aposentadoria.
Especialista dá dicas do que fazer para facilitar o processo nesse tipo de aposentadoria. Ou corroborar as informações do trecho.Â
6. Falta de planejamento financeiro para aposentar
A aposentadoria pĂşblica no Brasil raramente garante o mesmo padrĂŁo de vida da fase ativa. Mesmo assim, muitos brasileiros sĂł pensam nisso ao se aproximar da idade de se aposentar.
Esse despreparo pode obrigar o trabalhador a adiar o pedido, esperar condições melhores ou continuar trabalhando mesmo sem vontade. Segundo uma pesquisa da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em parceria com o Datafolha, revelou que apenas 19% dos nĂŁo aposentados estĂŁo se preparando financeiramente para essa fase da vida. Â
A ausĂŞncia de uma reserva financeira adequada pode obrigar o indivĂduo a continuar trabalhando ou reduzir drasticamente seu padrĂŁo de vida ao se aposentar.
Planejamento financeiro é essencial. Isso inclui avaliar se a aposentadoria pública será suficiente, simular cenários e considerar alternativas, como a previdência privada ou investimentos de longo prazo.
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