Diversas escolas privadas de São Paulo podem disponibilizar o parcelamento da mensalidade escolar em mais de 12 meses. Isso é possível por meio de uma iniciativa entre Educbank e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp).
O programa Fineducs está disponível para todas as escolas associadas ao Sieeesp. Para 11 mil escolas de educação básica, a iniciativa planeja antecipar R$ 100 milhões como subsídio.
A negociação acontece diretamente com as escolas e famílias. Sob esse parcelamento, há incidência de cobrança de juros de 1% fixos ao mês.
Ao Valor, o fundador da Educbank, Danilo Costa, informa que a startup sentiu a preocupação das escolas em repassar o peso da inflação nesses últimos dois anos.
O executivo declara que, devido aos custos estarem acima da inflação, muitas instituições financeiras estão próximas de quebrarem. Em relação a outros empreendimentos, ele informa que os serviços em educação são muito mais sensíveis a fechar rapidamente.
De acordo com levantamento feito pela consultoria Meira Fernandes, 90% das escolas particulares aumentarão o preço das mensalidades neste ano. Deste total, 53% projetam reajustar as matrículas entre 7% e 10%.
Ainda vale destacar que o cenário inflacionário brasileiro tem sido adverso. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial do país encerrou 2021 em 10,06%.
Este foi o maio patamar desde 2015, quando a taxa acumulada tinha sido de 10,67%. Sendo assim, a família brasileira vem tendo impacto recente.
Cuidado antes de solicitar o parcelamento da mensalidade escolar
Mesmo com os juros, menores, existem pontos importantes a se considerar, seguindo a planejadora financeira pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro – Planejar, Sinara Polycarpo, ao Valor. Isso porque a taxa básica de juros, a Selic, está em 11,75% ao ano.
Segundo a especialista, o grande ponto a ser considerado é o plano financeiro familiar ou individual. É necessário considerar que o parcelamento mais longo gerará algum alívio no corrente ano letivo — mas comprometerá uma parcela maior da renda no próximo ano letivo.
Caso essa possibilidade de comprometer maiores gastos no ano seguinte seja aceitável — ou de baixo risco de inadimplência —, a planejadora declara que pode ser considerado o passo seguinte: de avaliar a operação financeira em si.