As apostas online, conhecidas popularmente como “bets”, estão se tornando um dos maiores desafios do mercado de trabalho moderno.
No Brasil, o uso das plataformas durante o horário de expediente tem resultado na demissão por justa causa de funcionários, acendendo o alerta em departamentos de Recursos Humanos de diversas empresas.
Qual é o respaldo legal para a demissão por justa causa?
A prática de jogos de azar durante a jornada de trabalho encontra respaldo para dispensa motivada no artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Um caso recente julgado pela 2ª Vara do Trabalho de Barueri (SP) manteve a justa causa de uma auxiliar de escritório que utilizava o celular em serviço para realizar apostas e publicar os ganhos em redes sociais.
Foi atestado que ela descumpra as normas internas da empresa.
Um levantamento da consultoria It’sSeg (Acrisure Brasil) indica que 3 em cada 10 empresas já estão preocupadas com o impacto das apostas no ambiente de trabalho.
Para mitigar o problema, grande parte das corporações adota o bloqueio de sites de apostas na rede wi-fi corporativa e promove ações direcionadas de educação financeira.
O papel da ludopatia e o risco de dispensa discriminatória
Apesar da previsão na CLT, a justa causa pode ser revertida na Justiça do Trabalho caso fique comprovado que o trabalhador é diagnosticado com ludopatia (CID-11) — o vício compulsivo em jogos.
Por se tratar de um transtorno mental equivalente à dependência química, a demissão sem oferta de suporte ou durante tratamento médico pode ser classificada como dispensa discriminatória.
Decisões de Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), a exemplo do TRT da 3ª Região em Minas Gerais, vêm anulando dispensas punitivas em casos de dependências diagnosticadas.
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Nessas instâncias, a Justiça tem determinado o pagamento em dobro dos salários do período de afastamento, além de FGTS com multa e demais verbas rescisórias.

Plataformas de apostas, saúde pública e endividamento
De acordo com o Ministério da Saúde, a busca por atendimento para tratamento de dependência em jogos online no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 140% nos últimos cinco anos.
Especialistas alertam que a arquitetura das plataformas virtuais (disponibilidade 24h, notificações constantes e ofertas de bônus) foi desenhada para reter o usuário, potencializando o risco em pessoas impulsivas ou vulneráveis.
Além dos impactos diretos na saúde mental, como depressão e ansiedade, o endividamento decorrente das apostas afeta severamente a produtividade no trabalho:
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Busca por serviços no SUS: Alta de 140% nos atendimentos em saúde mental focados em jogos;
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Engajamento no Brasil: Estudo da FIA Business School/Ibevar aponta que 39,5 milhões de brasileiros utilizaram plataformas de apostas entre 2025 e 2026;
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Inadimplência e Renda: Cerca de 19% dos apostadores relatam comprometimento grave da renda e 17% deixaram de pagar contas básicas;
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Impacto no trabalho: Pesquisa da CNDL/SPC Brasil revela que 43% dos inadimplentes por apostas admitem ficar mais desatentos e improdutivos na jornada profissional, enquanto 35% relatam perda de paciência com colegas.
O tratamento da ludopatia envolve acompanhamento multidisciplinar não farmacológico por meio de psicoterapia, com apoio familiar e controle financeiro.
Em quadros onde há ansiedade ou depressão associadas, o uso de medicamentos pode ser indicado por médicos especialistas.
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