A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou numa fase decisiva. O governo brasileiro protocolou sua resposta oficial ao tarifaço dos EUA contra o Brasil, a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
No documento, o Brasil argumenta que a medida impõe custos aos próprios americanos e reduz o espaço de negociação. Entenda a briga e o que ela pode significar para o seu bolso.
O que é o tarifaço proposto pelos EUA?
A sobretaxa nasceu de uma investigação comercial aberta pelo USTR, o escritório de comércio dos EUA, em julho de 2025, com base na chamada Seção 301 da lei americana.
A apuração concluiu que o Brasil adotaria práticas consideradas discriminatórias no comércio com os americanos. Como resposta, o órgão sugeriu uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções.
Há ainda uma proposta separada de sobretaxa de 12,5% ligada a acusações de trabalho forçado.
O que o governo brasileiro respondeu
O Brasil tinha até quarta-feira (1º) para enviar comentários por escrito, e a manifestação sustenta três pontos principais:
- Não haveria base nas regras internacionais para sobretaxas unilaterais
- A tarifa imporia custos significativos aos próprios interesses americanos
- A medida reduziria o espaço de diálogo capaz de resolver as queixas
O governo também argumenta que uma taxa ampla não é um instrumento calibrado para os problemas apontados, já que as queixas americanas são variadas e, em boa parte, não têm relação com o acesso de mercadorias.
Por que o Pix entrou na briga?
Entre os alvos da investigação americana está o sistema de pagamentos brasileiro. O governo dos EUA acusa o Banco Central de favorecer o Pix de forma injusta frente a outros meios de pagamento, numa referência às empresas americanas de cartão.
O Brasil nega a acusação e faz uma defesa enfática do sistema no documento. As queixas americanas incluem ainda temas como etanol, propriedade intelectual e desmatamento.
O que acontece agora
O calendário da disputa tem datas próximas e importantes. Veja as etapas:
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 6 e 7 de julho | Audiência pública nos EUA para comentários |
| Meados de julho | USTR apresenta a proposta final da tarifa |
A audiência, normalmente técnica, deve ganhar contorno político: o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, se inscreveu para falar contra o tarifaço, argumentando que a medida acabaria beneficiando o atual governo.
A disputa opõe versões: de um lado, a leitura de que as tarifas respondem a questões comerciais; de outro, a de que teriam motivação política ligada à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.