Dormir é essencial para a saúde, mas o excesso também cobra seu preço. Um estudo recente acendeu o alerta sobre por que idosos não devem dormir muito: passar das nove horas por noite foi associado a uma perda maior de mobilidade nos homens com o passar dos anos.
Entenda o que a ciência descobriu e o que isso significa para a sua família.
O que o estudo descobriu sobre o sono dos idosos
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, no Reino Unido, com apoio da FAPESP. O trabalho acompanhou idosos por oito anos.
Foram analisados dados de mais de 3.200 pessoas com 60 anos ou mais. Os pesquisadores observaram a velocidade de caminhada, um indicador importante da mobilidade na terceira idade.
A conclusão chamou atenção: dormir mais de nove horas por noite apareceu ligado a uma queda maior na velocidade dos passos ao longo do tempo.
Por que o problema atinge mais os homens
O resultado trouxe uma diferença curiosa entre os sexos. O padrão de perda de mobilidade ligado ao sono longo apareceu apenas nos homens da pesquisa.
A explicação está nos hormônios. Veja o que os pesquisadores apontaram:
- O sono muito longo costuma ser de baixa qualidade e cheio de interrupções
- Esse padrão compromete a liberação de testosterona
- A testosterona é essencial para manter a massa muscular masculina
- Nas mulheres, outros hormônios cuidam dessa função, reduzindo o efeito
Dormir muito é causa ou consequência?
Esse ponto é importante para não tirar conclusões erradas. O estudo mostra uma associação, não uma sentença de que dormir demais sozinho causa o problema.
Em muitos casos, o sono longo e picado pode ser um sinal de que algo não vai bem, como uma doença ainda não diagnosticada. Por isso, o excesso de sono merece investigação médica, e não apenas um corte de horas na marra.
Como o sono longo afeta os músculos
Além da questão dos hormônios, os cientistas apontaram outro caminho. O sono muito prolongado e fragmentado está ligado a um quadro de inflamação crônica de baixo grau no corpo.
Esse processo favorece a degradação dos tecidos dos músculos. Na prática, ele reduz a força e acelera a perda de massa muscular, o que prejudica a capacidade de se locomover com segurança.
Antes de mudar a rotina de sono de alguém da família, o caminho certo é conversar com um médico, de preferência um geriatra.
Mudanças no padrão de sono de uma pessoa idosa, dormir muito mais ou muito menos que o normal, merecem uma avaliação para descartar causas tratáveis.
Manter o corpo ativo durante o dia, com caminhadas leves e exposição à luz natural, costuma ajudar a regular o sono e a preservar a mobilidade.
Sono bom é aquele que dá descanso de verdade, e isso tem mais a ver com qualidade do que com a quantidade de horas na cama.
