Quer se aposentar com mais que o salário mínimo? Saiba que isso não acontece por acaso — depende de escolhas que você faz hoje. A maioria dos brasileiros recebe só o piso do INSS justamente por não conhecer os caminhos para uma aposentadoria acima do salário mínimo.
A boa notícia é que existe um roteiro claro para mudar esse cenário. Veja os passos para construir um benefício maior.
Por que a maioria recebe só o piso
Primeiro, entenda o tamanho do problema. Dos 35,15 milhões de benefícios pagos pela Previdência, cerca de 21,9 milhões são do piso de R$ 1.621. Ou seja, mais de 62% dos aposentados dependem do valor mínimo.
O motivo é direto: o valor da aposentadoria está ligado ao seu histórico de contribuições. Quem contribuiu sempre sobre valores baixos, recebe pouco no fim. Porém, mudar isso exige planejamento.
Passo 1: entender como o cálculo funciona hoje
Depois da Reforma da Previdência (2019), a conta ficou mais rígida. O cálculo considera a média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994, sem descartar os menores valores.
Ao se aposentar, você recebe 60% dessa média, com acréscimo de 2% por ano que ultrapassar o tempo mínimo de contribuição (20 anos para homens, 15 para mulheres).
Para chegar perto de 100% da média, é preciso contribuir por muitos anos a mais.
Passo 2: contribuir sobre um valor maior
Para ter uma aposentadoria acima do mínimo, suas contribuições precisam acompanhar esse patamar ao longo da vida.
Um exemplo prático: para mirar cerca de R$ 5 mil por mês contribuindo por 30 anos (o que dá direito a 80% da média), seria preciso construir uma média de remuneração perto de R$ 6.250.
Ou seja, contribuir pouco a vida toda não leva a um benefício alto.
Passo 3: fugir das armadilhas das alíquotas baixas
Atenção a um erro comum. As modalidades simplificadas garantem aposentadoria, mas travam o valor no piso:
- 5%: usada pelo MEI e por segurados de baixa renda no CadÚnico — só dá direito ao salário mínimo;
- 11%: contribuinte individual simplificado — também limita ao piso;
- 20%: a alíquota completa, que dá acesso a um benefício acima do mínimo.
Quem usa o plano de 5% ou 11% e quer mais precisa complementar a contribuição até os 20%.
Passo 4: usar caminhos legais para aumentar a base
Se o seu salário de carteira assinada é baixo, há saídas dentro da lei. Você não pode pedir à empresa que recolha mais que o registrado, mas pode atuar também como contribuinte individual, recolhendo sobre rendas de atividades extras pelas guias do Meu INSS.
O passo mais importante é simular: entre no app Meu INSS, use a ferramenta “Simular Aposentadoria” e veja a projeção do seu benefício com base no que já contribuiu.
Se o valor estiver abaixo do que você precisa, ainda dá tempo de reforçar as contribuições dentro da lei ou buscar formas complementares de proteção financeira.
