A chamada “lista suja” do trabalho escravo foi atualizada pelo governo federal, incluindo 169 novos empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Entre os novos nomes estão a gigante automotiva chinesa BYD e o cantor sertanejo Amado Batista. A lista, que agora conta com 613 empregadores, visa dar transparência às ações de fiscalização e combate a essa prática criminosa.
Quem entrou na nova “lista suja”?
A atualização semestral, divulgada nesta segunda-feira (6), adicionou 102 pessoas físicas (patrões) e 67 pessoas jurídicas (empresas). Os casos resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração.
A montadora chinesa BYD foi incluída após o resgate de 220 funcionários em dezembro de 2024, que trabalhavam na construção de sua fábrica na Bahia.
Os trabalhadores, em sua maioria chineses, foram encontrados em alojamentos sem condições adequadas de higiene e segurança, com passaportes retidos e jornadas exaustivas.
Já o cantor Amado Batista aparece em autuações relacionadas a sítios em Goianápolis (GO), envolvendo um total de 14 trabalhadores resgatados em 2024.
Entenda o que é a “lista suja”
A “lista suja” é um documento público, atualizado a cada seis meses pelo Ministério do Trabalho, que expõe empregadores que cometeram crimes de trabalho análogo à escravidão.
A inclusão ocorre após a conclusão de processos administrativos, garantindo o direito de defesa. Os empregadores permanecem na lista por dois anos, mas novas regras permitem a retirada antecipada caso assinem um termo de ajustamento de conduta, se comprometendo a indenizar as vítimas e investir em programas de apoio.
Atividades mais frequentes na lista
As atividades econômicas com maior número de empregadores incluídos na lista foram:
- Serviços Domésticos (23)
- Criação de bovinos para corte (18)
- Cultivo de café (12)
- Construção de edifícios (10)
- Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (6)
Como denunciar trabalho escravo?
Denúncias podem ser feitas de forma anônima e remota pelo Sistema Ipê, canal específico lançado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho. O sistema permite que o denunciante forneça o máximo de informações possível para auxiliar a fiscalização.
A atualização da “lista suja” reforça o compromisso do governo em combater o trabalho análogo à escravidão no país. É fundamental que todos fiquem atentos e denunciem qualquer situação de exploração.
