O governo federal colocou em prática uma nova estratégia para enfrentar um dos principais problemas do INSS: a longa fila de espera para análise de benefícios por incapacidade.

(Foto: Jeane de Oliveira/FDR)
As medidas, que já começaram a impactar os segurados, combinam ações emergenciais — como mutirões de perícia — com mudanças estruturais, como a reformulação do sistema Atestmed.
Mutirão de perícias acelera atendimentos
Uma das principais iniciativas é a realização de mutirões de perícias médicas em todo o país. A ação envolve mais de 130 agências da Previdência Social e tem como objetivo reduzir rapidamente o tempo de espera dos segurados.
Durante esses mutirões, milhares de atendimentos são concentrados em poucos dias, incluindo perícias presenciais e também a chamada perícia conectada, feita por teleatendimento.
Essa modalidade amplia o acesso, especialmente em regiões com poucos médicos peritos, mantendo os mesmos critérios de segurança e sigilo.
A expectativa do governo é atender dezenas de milhares de pessoas em cada rodada de mutirão, acelerando a concessão de benefícios como o auxílio por incapacidade temporária.
Novo Atestmed: menos perícia presencial, mais rapidez
Outra frente importante da estratégia é o chamado Novo Atestmed, sistema que permite a análise de benefícios com base apenas em documentos médicos enviados pelo segurado.
Com as novas regras:
- O benefício pode ser concedido ou negado sem perícia presencial inicial
- O prazo máximo de afastamento foi ampliado de 60 para até 90 dias
- A decisão passa a ser baseada em análise técnica dos documentos médicos
- O perito pode ajustar o tempo de afastamento conforme evidências clínicas
Na prática, isso significa que muitos pedidos podem ser resolvidos de forma mais rápida, diretamente pelo sistema, sem necessidade de agendamento presencial.
Impacto direto na fila do INSS
As mudanças têm como objetivo reduzir o volume de pedidos acumulados. Segundo estimativas do governo:
- O novo modelo pode diminuir em até 10% a demanda por perícias presenciais
- Mais de 500 mil segurados por ano podem ser atendidos apenas via análise documental
Além disso, a ampliação do prazo do benefício evita que o segurado precise solicitar novos pedidos em períodos curtos, o que também ajuda a desafogar o sistema.
Regras mais rígidas e análise mais criteriosa
Apesar da simplificação do processo, o novo modelo traz maior rigor técnico. Agora:
- O perito pode negar o benefício com base nos documentos
- A decisão deve ser fundamentada em evidências médicas e legislação
- O segurado pode recorrer em caso de negativa
Também foram definidos critérios mais claros para os atestados médicos, que precisam conter identificação completa, diagnóstico (CID), prazo de afastamento e assinatura do profissional.

(Foto: Jeane de Oliveira/FDR)
Estratégia combina tecnologia e força-tarefa
A nova política do governo combina duas abordagens:
- Curto prazo: mutirões e ampliação de atendimentos
- Médio prazo: digitalização e análise documental com o Atestmed
Essa combinação busca equilibrar rapidez e controle, garantindo que os benefícios sejam concedidos com mais agilidade, mas sem abrir mão da verificação técnica.
O que muda para o segurado
Para quem solicita benefício por incapacidade, os impactos já são visíveis:
- Possibilidade de obter resposta mais rápida
- Menor necessidade de ir até uma agência do INSS
- Mais exigência na qualidade da documentação médica
- Novas chances de análise, inclusive com recurso
Em resumo, a nova estratégia marca uma mudança importante no funcionamento do INSS, com foco na redução da fila e na modernização do processo. Ainda assim, especialistas apontam que os efeitos dependerão da execução contínua dessas medidas e da capacidade do sistema em lidar com a alta demanda.
