Quando o assunto é declaração do Imposto de Renda, a maioria das pessoas se preocupa apenas com rendimentos, deduções e prazos. No entanto, existe um detalhe pouco comentado — e que pode fazer muita diferença no bolso —: a obrigatoriedade de declarar contas bancárias e investimentos mesmo com saldo baixo ou zerado.

(Foto: Sora)
A Receita Federal do Brasil exige que o contribuinte informe na declaração do IRPF todos os bens e direitos que possuía até 31 de dezembro de 2025, incluindo:
- Contas correntes e poupanças
- Contas digitais
- Investimentos (CDB, Tesouro Direto, ações, etc.)
- Aplicações que já foram encerradas ao longo do ano
O ponto pouco falado é este: mesmo que você tenha encerrado a conta ou zerado o saldo, ela ainda pode precisar aparecer na declaração — principalmente se houve movimentação relevante durante o ano.
Por que isso é tão importante?
Esse detalhe passa despercebido por muita gente, mas é justamente onde a Receita cruza dados com bancos e instituições financeiras.
Hoje, praticamente todas as movimentações são informadas automaticamente via sistemas como a e-Financeira. Ou seja:
- Se você teve uma conta ativa em 2025
- Movimentou valores relevantes
- E simplesmente “sumiu” com ela na declaração
👉 Isso pode gerar inconsistência e levar você à malha fina.
Quando declarar conta no IRPF (e quando não é obrigatório)
Nem toda conta precisa ser declarada, mas há regras claras:
- Contas com saldo acima de R$ 140 em 31/12 devem ser informadas
- Investimentos devem ser declarados independentemente do valor em muitos casos
- Contas encerradas devem ser informadas se tinham saldo ou movimentação relevante no ano
Esse último ponto é o “pulo do gato” que muita gente (e até alguns contadores mais desatualizados) acaba ignorando.
Como declarar corretamente no IRPF 2026
No programa da declaração da Receita Federal do Brasil:
- Acesse a ficha “Bens e Direitos”
- Escolha o grupo correto (conta bancária, aplicação, etc.)
- Informe:
- CNPJ da instituição
- Tipo de conta
- Saldo em 31/12/2024 e 31/12/2025
- Se a conta foi encerrada, descreva isso no campo “Discriminação”
💡 Dica importante: nunca deixe simplesmente de declarar algo que existiu no ano anterior — sempre explique o que aconteceu.

(Foto: Sora)
O risco de ignorar esse detalhe
Pode parecer algo pequeno, mas esse tipo de inconsistência é uma das principais causas de retenção em malha fina.
E o problema vai além:
- Atraso na restituição
- Necessidade de retificação
- Possíveis multas
Outros detalhes do Imposto de Renda 2026 que quase ninguém te conta
- Inclusão de dependentes com renda própria pode aumentar o imposto a pagar
- Despesas médicas só são aceitas se forem comprovadas e realmente dedutíveis (procedimentos estéticos, por exemplo, ficam de fora)
- PIX também entra no radar da Receita Federal do Brasil e pode ser cruzado com sua renda declarada
- Quem recebeu indenizações ou valores acumulados (como ações judiciais) precisa declarar corretamente para não pagar imposto a mais
- Aluguel recebido e não declarado é um dos principais motivos de malha fina
- É obrigatório declarar investimentos isentos, como poupança e alguns tipos de LCI/LCA
- Previdência privada (PGBL e VGBL) tem regras diferentes e pode impactar diretamente na restituição
- Doações feitas durante o ano precisam ser informadas — e só geram benefício fiscal se forem incentivadas por lei
- Erros no preenchimento de rendimentos de dependentes podem gerar divergências com os dados informados por empresas
- Quem vendeu bens (como carro ou imóvel) pode precisar pagar ganho de capital, mesmo que ache que está isento
- Restituições recebidas no ano anterior também precisam ser informadas na nova declaração
Vale a pena revisar sua declaração
Antes de enviar seu IRPF 2026, faça uma revisão cuidadosa de todas as suas contas e investimentos ao longo de 2025.
Esse “detalhe escondido” pode ser justamente o que separa uma declaração tranquila de uma dor de cabeça com a Receita.
