Estudo estima aumento de 21% nos custos das empresas e impacto bilionário no setor de comércio e serviços. Entenda como a mudança da escala 6×1 pode chegar ao seu bolso.
A discussão sobre o fim da jornada 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) ganhou um novo e alarmante capítulo. Um parecer técnico da Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que a redução da carga horária para 36 horas semanais pode gerar um custo adicional de R$ 122,4 bilhões por mês para o setor.

(Geração: FDR)
A proposta de redução da jornada visa a melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Atualmente, porém, a CNC argumenta que a economia brasileira, especialmente o comércio varejista, possui margens de lucro apertadas que podem não suportar um aumento imediato de 21% na folha salarial. Certamente, o maior temor é que a mudança resulte em uma onda de demissões ou na substituição de mão de obra por automação tecnológica.
Dessa maneira, o impacto chegaria rapidamente às prateleiras. Portanto, o estudo projeta que os preços ao consumidor poderiam subir até 13% para compensar os novos custos operacionais das empresas.
Os números do impacto: O que diz o parecer da CNC
Visto que o setor de comércio é o que mais utiliza a escala 6×1, os dados da RAIS indicam que mais de 31 milhões de trabalhadores seriam diretamente afetados pelas PECs que tramitam no Congresso (como a PEC 8/2025 de Erika Hilton).
- Aumento na Folha: Estimativa de alta de 21% nos custos com pessoal.
- Redução da Lucratividade: Perda projetada de R$ 73,31 bilhões no excedente operacional das empresas.
- Repasse nos Preços: Para cada 1% de aumento na massa salarial, estima-se uma alta de 0,6% nos preços finais.
O efeito no emprego e no consumo
Por outro lado, defensores da medida acreditam que a redução da jornada pode estimular o consumo de lazer e melhorar a produtividade. Consequentemente, o debate técnico divide economistas e parlamentares. A CNC pondera que, caso o repasse integral de preços ocorra, as famílias podem perder poder de compra, o que levaria a uma queda nas vendas e, eventualmente, ao fechamento de lojas.

(Imagem: Jeane de Oliveira/ FDR)
Dessa forma, o relatório conclui que a extinção da jornada atual exige uma reorganização profunda dos contratos de trabalho. Recentemente, a pressão popular nas redes sociais acelerou o debate no Congresso, mas entidades patronais pedem cautela para evitar um desequilíbrio econômico que prejudique justamente quem a lei tenta proteger: o trabalhador.
Finalmente, vale ressaltar que o projeto ainda passará por diversas comissões antes de uma votação definitiva. Em resumo, o fim da escala 6×1 é um desejo social que agora enfrenta o desafio de se tornar viável economicamente sem gerar inflação.