A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no varejo em 2026, com empresas testando a jornada 5×2 para melhorar a retenção de funcionários.
Porém, a mudança ainda não é uma regra nacional. Na prática, o trabalhador só migra se a empresa adotar o novo modelo.
Quem trabalha em escala 6×1 pode mudar para 5×2 em 2026?
Não existe, até o momento, nenhuma lei federal que obrigue empresas a substituir a escala 6×1 pelo modelo 5×2.
A migração, entretanto, depende exclusivamente de decisão interna da empresa ou de acordo coletivo com o sindicato.
Mesmo com a pressão pública sobre o tema, o formato 6×1 continua permitido pela legislação trabalhista em 2026.
Portanto, quem trabalha seis dias e folga um não tem direito automático à mudança.

Quais empresas já adotaram a escala 5×2 no varejo?
Apesar de não ser obrigatória, algumas redes já colocaram a escala 5×2 em prática. Entre os casos confirmados estão:
- Grupo Savegnago, que implantou o modelo em suas lojas da bandeira Savegnago e também no Paulistão Atacadista.
- Rede Pague Menos (supermercados), que passou a operar com 5×2 para melhorar retenção e clima interno.
- Coop – Cooperativa de Consumo, que adotou o modelo em todas as suas drogarias.
- Supermercado do Frade, com implantação gradual em suas unidades.
- Grupo UNI-X (Enxuto e Flex Atacarejo), que iniciou projetos-piloto.
Essas mudanças ocorreram por iniciativa das próprias empresas, sem imposição legal.
Em quais regiões a escala 5×2 já está sendo aplicada?
A maior concentração de testes e implantações está no estado de São Paulo. Há registros de adoção em:
- cidades do interior paulista, como Campinas, Sumaré, Hortolândia, Barretos, Sertãozinho e Franca;
- litoral norte, com unidades em Ilhabela;
- região do ABC Paulista;
- municípios como São José dos Campos, Sorocaba, Piracicaba e Tatuí.
No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, redes varejistas também passaram a testar o modelo como estratégia para atrair mão de obra.
O que muda no salário ao sair do 6×1 para o 5×2?
A principal dúvida dos trabalhadores é se o salário diminui.
Na maioria dos casos, a migração para a escala 5×2 não reduz o salário mensal, desde que a carga horária semanal seja mantida.
Ou seja, o empregado continua cumprindo as mesmas horas previstas no contrato, apenas distribuídas em menos dias.
Entretanto, pode haver mudanças indiretas:
- redução de horas extras, caso o novo arranjo diminua a necessidade de jornadas prolongadas;
- alteração no banco de horas;
- readequação de turnos e folgas.
Por isso, cada empresa define o formato com base em sua operação.
A empresa é obrigada a oferecer a escala 5×2?
Não. Mesmo em 2026, a empresa pode manter o regime 6×1, desde que respeite a jornada legal, os intervalos e o descanso semanal remunerado.
A adoção da escala 5×2 ocorre como estratégia de gestão, especialmente para:
- reduzir rotatividade,
- melhorar a satisfação dos funcionários,
- enfrentar a dificuldade de contratação no varejo.
Em 2026, quem trabalha na escala 6×1 só pode migrar para o modelo 5×2 se a empresa decidir adotar esse formato ou se houver acordo coletivo.
O salário, em regra, não muda, desde que a carga horária seja preservada. A tendência, porém, é que o debate continue crescendo no varejo, principalmente nas regiões onde já há projetos-piloto em andamento.