A chamada caneta emagrecedora — termo popular para medicamentos injetáveis que ajudam na perda de peso — se tornou uma verdadeira febre no Brasil nos últimos meses, impulsionada sobretudo pelas redes sociais e pelo uso sem indicação médica.

(Foto: FOLHA/UOL)
Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância reforçado, chamando a atenção para os riscos graves associados ao uso desses produtos sem prescrição e acompanhamento médico.
Boom nas redes sociais e uso sem orientação
Medicamentos como semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida — pertencentes à classe dos agonistas do receptor GLP-1 — vêm sendo procurados por pessoas que buscam emagrecimento rápido, mesmo quando não há indicação clínica aprovada.
A popularização ocorreu principalmente através de perfis em plataformas digitais, que promovem esses produtos como “soluções milagrosas” de estética e bem-estar.
Esse fenômeno também se refletiu no crescimento de vendas irregulares e importações clandestinas, muitas vezes sem registro sanitário ou procedência garantida, o que eleva ainda mais os riscos ao consumidor.
Alerta da Anvisa: riscos graves à saúde
Em comunicado oficial, a Anvisa reforçou que esses medicamentos devem ser utilizados estritamente conforme as indicações aprovadas em bula, com prescrição e acompanhamento de profissional de saúde habilitado.
Quando empregados fora dessas condições — especialmente com fins exclusivamente estéticos — podem aumentar a probabilidade de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, uma inflamação severa do pâncreas que pode evoluir para necrose e até levar à morte.
A agência também destacou que, embora o risco de pancreatite já conste nas bulas, o número de notificações aumentou tanto no Brasil quanto no exterior, o que motivou a intensificação das orientações de segurança.
No país, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025 foram registradas 145 suspeitas de eventos adversos, incluindo seis casos com possível desfecho fatal.
Reações e orientações da Anvisa sobre o uso de canetas emagrecedoras
A Anvisa orienta que usuários que apresentem dor abdominal intensa e persistente, que possa irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos — sintomas típicos de pancreatite — procurem atendimento médico imediato.
Para os profissionais da saúde, o recomendado é interromper o tratamento ao primeiro sinal de reação adversa e não retomar o uso caso a inflamação pancreática seja confirmada.
Além disso, a agência lembra da importância da notificação de eventos adversos por meio do sistema VigiMed, ferramenta que monitora continuamente a segurança de medicamentos e vacinas no país.
Regras de prescrição e venda do Mounjaro, Ozempic e outros
Desde junho de 2025, a Anvisa estabeleceu que esses medicamentos só podem ser vendidos com retenção obrigatória da receita médica na farmácia ou drogaria, seguindo normas semelhantes às aplicadas a antibióticos.
A receita deve ser emitida em duas vias, e sua validade é de até 90 dias após a data de emissão.
A medida tem como objetivo proteger a saúde pública, evitando o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, o que pode dificultar o diagnóstico precoce de complicações e trazer prejuízos graves à saúde dos usuários.
Por que isso importa?
O fenômeno das canetas emagrecedoras no Brasil reflete uma tendência global de busca por soluções rápidas para emagrecimento, amplificada pelo poder das redes sociais. No entanto, o uso desses medicamentos sem controle médico não é isento de riscos.
A ação da Anvisa evidencia a necessidade de regulação e conscientização, reforçando que tratamentos farmacológicos devem ser seguros, eficazes e sempre supervisionados por profissionais de saúde.