Muitos brasileiros acreditam que o valor da aposentadoria é uma decisão exclusiva do INSS, mas a verdade é que o trabalhador tem ferramentas legais para aumentar o valor do benefício futuro.

(Foto: I.A)
Através de pagamentos complementares e ajustes na contribuição mensal, é possível elevar a média salarial e garantir uma segurança financeira maior na terceira idade.
Neste guia, vamos explicar quem pode fazer esses pagamentos extras, como realizar a complementação e o que a legislação de 2026 diz sobre o teto previdenciário.
Por que fazer pagamentos complementares ao INSS?
Após a Reforma da Previdência, o cálculo da aposentadoria passou a considerar a média de todas as suas contribuições desde julho de 1994. Isso significa que contribuições baixas “puxam” sua média para baixo.
Os pagamentos extras ou complementares servem para:
- Atingir o Teto do INSS: Para quem deseja receber o valor máximo permitido por lei.
- Validar meses de contribuição: Desde 2019, meses em que a contribuição foi inferior ao salário mínimo não contam para tempo de contribuição, a menos que haja complementação.
- Ajustar atividades concomitantes: Para quem trabalha em dois empregos e quer somar as rendas para fins de cálculo.
Quem pode aumentar a contribuição no INSS?
Nem todo trabalhador pode simplesmente “pagar a mais” por conta própria. Veja onde você se encaixa:
1. Contribuinte Individual (Autônomo)
Se você presta serviços para pessoas físicas, pode optar por recolher sobre um valor maior (até o teto), utilizando a alíquota de 20%. Se você recolhe apenas 11% (Plano Simplificado), sua aposentadoria fica limitada ao salário mínimo.
2. Trabalhador com Carteira Assinada (CLT)
Quem recebe menos que um salário mínimo (por jornada parcial ou intermitente) precisa complementar a guia para que esse mês seja contabilizado no tempo de aposentadoria.
3. Contribuinte Facultativo
Pessoas que não possuem renda própria (estudantes, donas de casa) podem escolher o valor sobre o qual desejam contribuir, respeitando os limites entre o piso e o teto.
Como realizar o pagamento extra ao INSS
Existem três formas principais de fazer esse ajuste:
A. Complementação para atingir o Salário Mínimo
Se o seu salário no mês foi inferior a R$ 1.621,00 (valor base de 2026), você deve gerar uma guia (DARF) através do portal Meu INSS ou e-CAC para pagar a diferença da alíquota.
B. Agrupamento de contribuições
Caso você tenha trabalhado em dois locais no mesmo mês e ambos os salários somados ainda não atinjam o teto, você pode solicitar o agrupamento dessas contribuições para elevar sua média salarial.
C. Contribuição sobre Atividades Concomitantes
Para quem tem dois empregos (ex: professor, médico), as contribuições são somadas automaticamente pelo INSS até o limite do teto. Se a soma ultrapassar o teto, o trabalhador pode inclusive pedir a restituição do que pagou a mais.
Tabela de Alíquotas de Contribuição 2026
Para planejar seu aumento, é essencial conhecer as faixas de contribuição ao INSS para o ano de 2026:
| Salário de Contribuição | Alíquota Progressiva |
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% |
| De R$ 1.621,01 até R$ 2.850,00 | 9% |
| De R$ 2.850,01 até R$ 4.200,00 | 12% |
| De R$ 4.200,01 até o Teto (R$ 8.157,41*) | 14% |
*Valores estimados com base na projeção de reajuste para 2026.
O perigo de “pagar o teto” tarde demais
Atenção: Muitos trabalhadores tentam pagar contribuições altas apenas nos últimos 5 anos antes de se aposentar. Com as novas regras, isso surte pouco efeito, pois a média leva em conta todo o histórico desde 1994. O planejamento deve ser feito a longo prazo.