Brasileiros estão fazendo de tudo para quitar dívidas, mas estes aspectos estão ‘atrapalhando’

Pontos-chave
  • Inflação e juros em alta prejudicam pagamento de dívidas
  • Quantidade de pessoas inadimplentes bate recorde

Um dos maiores pesadelos dos brasileiros são as dívidas. Neste começo de ano, o Brasil bateu recorde de pessoas inadimplentes. As pessoas até tentam pagar as contas e se livrar das dívidas, porém existem dois fatores que vem atrapalhando bastante esse plano. Confira os detalhes.

Brasileiros estão fazendo de tudo para quitar dívidas, mas estes aspectos estão 'atrapalhando'
Brasileiros estão fazendo de tudo para quitar dívidas, mas estes aspectos estão ‘atrapalhando’ (Imagem: FRD)

Em março, de acordo com dados revelados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) juntamente com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 66 milhões de pessoas estavam envidadas no Brasil, número que representa 40,6% da população adulta. Estas pessoas tinha ao menos uma conta atrasada.

Este é o patamar mais elevado da série histórica. No entanto, existe uma parcela de pessoas dentro deste grupo que vem se esforçando para pagar as contas e se livrar das dividas neste começo de ano.

Brasileiros querem pagar dívidas

O portal Valor Investe publicou um levantamento feito pela plataforma de recuperação de crédito Paschoalotto, que mostrou que em média o valor das parcelas de dívidas pagas cresceu 22,3% em média no mês passado ante o observado entre janeiro e março.

No primeiro mês do ano, o tíquete médio que foi recebido dos credores ficou em R$ 472,46, já em fevereiro, R$ 455,34, e em março, R$ 570,37, valor que sinalizou alta de 21% sobre a parcela de janeiro e de 25% sobre fevereiro. A média das parcelas pagas de contas atrasadas no primeiro trimestre do ano foi de R$ 496,15.

Foi apontado pelo economista e CEO da Ativo Investimentos, Diego Hernandez, que existe uma sazonalidade que se reflete nos dados apresentados. No mês passado, o bolso das pessoas teve um alívio depois de dois meses com reajuste de contratos de serviços e despesas com educação.

“O indicador de inflação desse começo de ano, nos primeiros dois meses, esteve bem inchado, justamente por conta desses fatores. Houve muitas repactuações de contratos de serviços de telecomunicações em janeiro, além dos pagamentos de tributos (IPTU, IPVA). Por isso, costuma ser um período mais tenso para o pagamento de dívidas”, explicou Hernandez ao Valor Investe.

Com isso, a quantidade de pessoas endividadas aumentou 8,32% em março de 2023 em comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados do SPC Brasil. Os dados mostraram ainda uma alta de 1% na passagem de fevereiro para março.

Comportamentos diferentes

Apesar das parcelas de amortização das dívidas ter crescido, o montante da dívida total no mercado que foi quitada no último mês foi mais baixo.

Isto siginifica que aqueles que pagaram, conseguiram crescer o valor de pagamento, no entanto, fora o crescimento da quantidade de pessoas inadimplentes, o número de contas não pagas em março foi maior que em meses anteriores.

Março ficou caracterizado como um período de comportamentos diferentes entre as pessoas endividadas. Grande parte de quem pagou as dívidas tentou pagar parcelas com valor mais elevado, ao passo que muitas pessoas também deixaram de pagar.

Em média, no terceiro trimestre cada consumidor negativado estava devendo em média R$3.974,73, de acordo com a pesquisa realizada pela CNDL juntamente com o SPC. E cada pessoa inadimplente possuía compromissos financeiros com duas empresas credoras, em média.

Na visão do diretor de planejamento e coordenador da pesquisa da Paschoalotto, Diego Mosquim, o grande desafio para as pessoas endividadas é conseguir dar conta dos pagamentos em momentos de altos juros. Isto acaba afetando as renegociações e o pagamento dos débitos.

“Alguns fatores contribuíram para esse cenário: a alta da inflação; o uso crescente do cartão de crédito, através da oferta de novos produtos e serviços por bancos e fintechs; e a maior demanda por serviços, como viagens e compra de passagens aéreas, geralmente também pagos no cartão”, disse ele ao Valor.

Prioridade de pagamento dos inadimplentes 

No mês de março, a prioridade dos brasileiros foi pagar dívidas que possuem juros mais elevados. Desta forma, as empresas de cartão de crédito e as fintechs ficaram na liderança entre os pagamentos no primeiro trimestre do ano.

Logo depois, aparecem os financiamentos de veículos leves, com 4% do montante pago no março, e outros 3,3% para redução dos débitos com consórcios.

Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.