O mercado não deu atenção ao discurso de Fernando Haddad? Entenda

No inicio desta semana, Fernando Haddad tomou posse como novo ministro da Fazenda do governo Lula. Em seu primeiro discurso, Haddad falou em reduzir déficit primário de R$ 220 bilhões, recuperar as contas públicas e fazer o país crescer novamente, mas com responsabilidade social.

O ministro garantiu que irá enviar um novo modelo de âncora fiscal para o Congresso Nacional ainda neste semestre.

A nova regra virá para substituir o teto de gastos usado atualmente, que determina um limite para gastos primários. “Não existe mágica nem malabarismos financeiros. O que existe para garantir um Estado fortalecido é a previsibilidade econômica, a confiança dos investidores e a transparência com as contas públicas”, disse Haddad, na cerimônia.

Mas, em meio a uma segunda-feira com diversos acontecimentos políticos, as declarações de Haddad não foram comentadas no mercado. “Careceu de substância, focou muito no ataque ao antigo governo e foi vago em relação ao arcabouço fiscal. Foi relativamente vazio”, disse ao E-Investidor Jason Vieira, economista chefe da Infinity.

As falas de Lula durante seu discurso de posse, no último domingo (1), repercutiram no primeiro dia útil do ano.

“A fala do Haddad foi mais uma, entre diversas falas, que mostram que uma nova era política começa no Brasil. Acho que o motivo principal dessa queda do mercado não é nem o discurso de um ou de outro, mas sim o grau de incerteza que o investidor tem”, disse ao E-Investidor Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos.

O analista considerou que a reação negativa do mercado foi exagerada. “O Boletim Focus mostrou dólar estável em relação aos últimos relatórios. Não mostrou inflação tão mais alta e os juros subiram apenas 0,25. Não é nada de surreal, mas é óbvio que essas novidades (políticas) mexem com o mercado”, disse ele ao E-Investidor.

“Me pareceu ser um discurso meio que no improviso. O tom do discurso é uma continuidade do que ele tem pregado até agora: um estado forte e mais atuante. A sensação é de que isso representa uma reversão em relação à política anterior, que era mais centrada na contenção de gastos e evitar o aumento da carga tributária. O discurso deixou claro que o novo governo não primará pelo controle de gastos. Essa preocupação fiscal é, e vai continuar sendo, o calcanhar de Aquiles do governo”, analisou para o E-Investidor Marcelo Boragini, sócio da Davos Investimentos e especialista em renda variável.

Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.