Quanto custa a presidência? Auxílio Brasil e demais benefícios como massa de manobra na corrida eleitoral

Faltam pelo menos três meses para as eleições de 2022, a população brasileira vai escolher quem ocupará a cadeira de presidente do Brasil por mais quatro anos. E embora seja seu direito ter acesso a políticas públicas, com certeza você amigo e amiga leitor do FDR, tem acompanhado o uso de benefícios sociais como vitrine para tentar se eleger. Principalmente o Auxílio Brasil não tem saído da boca dos principais candidatos à presidência.

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Quanto custa a presidência? Auxílio Brasil e demais benefícios como massa de manobra na corrida eleitoral (Imagem: FDR)
Quanto custa a presidência? Auxílio Brasil e demais benefícios como massa de manobra na corrida eleitoral (Imagem: FDR)

E não estamos falando apenas do atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora o Auxílio Brasil tenha sido criado nesta gestão, o candidato à presidência, Luís Inácio Lula da Silva (PT) também já fez declaração sobre o benefício. Antes de fazer uma relação entre a criação de auxílios e as eleições, vamos voltar no tempo.

Para você entender melhor, até 2021 o Brasil pagava em média R$ 190 para 14 milhões de famílias pobres por meio do Bolsa Família. Este programa, por sua vez, foi criado em 2003, quando Lula era presidente do país. E adivinha só quem era um dos grandes críticos desse programa assistencial? Justamente o presidente Bolsonaro.

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Na época em que atuava como deputado federal, Jair era um crítico assíduo desta política pública adotava pelo governo da época. Ele chegou a chamar o programa de “Bolsa farelo”. Em um tweet em 2010, Bolsonaro relacionou o pagamento do benefício a continuidade do governo petista.

No mesmo ano, ele chegou a dizer que o pagamento do Bolsa Família funcionava como uma forma de troca de benefícios por votos à população do Nordeste.

Se, hoje em dia, eu der R$ 10 para alguém e for acusado de que esses R$ 10 seriam para a compra de voto, eu serei cassado. Agora, o governo federal dá para 12 milhões de famílias em torno de R$ 500 por mês, a título de Bolsa Família definitivo, e sai na frente com 30 milhões de votos. Disputar eleições num cenário desses é desanimador, é compra de votos mesmo”, afirmou Bolsonaro em 2010.

Agora, vejam só amigos e amigas, quem aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que libera R$ 41,2 bilhões em gastos públicos, diga-se de passagem fora do teto de gastos, para investir em benefícios sociais? Ele mesmo, o presidente Jair Bolsonaro.

E a intenção dos seus apoiadores ao pedir pela aprovação desta PEC é justamente convencer a população mais vulnerável de que este é o melhor candidato à presidência da República.

Em 2022, o Auxílio Brasil começou a valer e passou da média de R$ 190 por grupo beneficiário para no mínimo R$ 400. Além disso, foram inclusas novas famílias e o programa passou a alcançar 18,1 milhões de famílias.

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E o que Lula acha do Auxílio Brasil?

A ideia de usar um auxílio financeiro mínimo para tentar ocupar a presidência nacional não é apenas uma estratégia bolsonarista. No dia 27 de julho, Lula prometeu que caso seja eleito vai acabar com o Auxílio Brasil, retomar o nome Bolsa Família, e manter o pagamento de R$ 600 prometidos por Bolsonaro neste ano.

Claro que para uma mãe de família desempregada, com contas para pagar e sem nada no armário, pouco importa o nome do programa de transferência de renda do país. Seja Auxílio Brasil ou Bolsa Família, o que interessa é o fato do valor de R$ 600 ter sido prometido como algo permanente.

Não à toa, Lula ficou conhecido como o presidente que investiu em políticas sociais e além do Bolsa Família criou outros programas. Por exemplo, o Minha Casa Minha Vida que permitiu o financiamento imobiliário para grupos de baixa renda, com ganho de até R$ 2 mil por mês.

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Inclusive, este mesmo programa foi transformado na gestão Bolsonaro. O Minha Casa Minha Vida já não existe mais, e deu lugar ao Casa Verde e Amarela que agora conta com outras taxas de juros e mais vantagens para moradores do Nordeste. 

Ao defender o pagamento permanente de R$ 600 no Auxílio Brasil, Lula aproveitou para dar “aquela alfinetada” em Bolsonaro. Ele criticou o fato do pagamento neste valor, e a criação dos demais auxílios, terem sido estabelecidos até dezembro.

“Não precisa utilizar o povo como massa de manobra porque o povo está com fome, pode ser um programa feito de forma permanente. Ele fez até dezembro, agora percebeu a bobagem que fez e está falando nos comícios que vai deixar, que depois de dezembro vai ser fixo, mas a lei que ele fez vai até dezembro“, disse o candidato petista.

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Em sua apresentação como candidato à presidente do Brasil pelo Partido Liberal (PL), Bolsonaro afirmou que vai manter os R$ 600 do auxílio a partir de 2023. Os demais benefícios não foram mencionados pelo presidente.

Auxílio isso, auxílio aquilo

Na época do governo petista era comum as acusações irônicas de que era criada bolsa isso e bolsa aquilo, a fim de “dar dinheiro” ao povo. Acontece que, a fim de manter seu mandato, o governo bolsonarista apostou no “auxílio isso e aquilo” para tentar a reeleição.

Com a PEC sancionada pelo presidente, até dezembro de 2022 serão beneficiados:

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  • Pouco mais de 19 milhões de famílias com Auxílio Brasil de R$ 600;
  • Pouco mais de 5,1 milhões de famílias com o Vale gás de R$ 120 pago a cada dois meses;
  • Cerca de 900 mil caminhoneiros com o BEm-Caminhoneiro de R$ 1 mil em seis parcelas, sendo duas em agosto;
  • Taxistas com o BEm-Taxista de R$ 1 mil em seis parcelas. São R$ 2 bilhões disponibilizados para esse programa que deve ser dividido conforme o número de profissionais cadastrados pelas prefeituras.

Desconsiderando o cunho eleitoral das medidas, claro que essas ajudas serão importantes. No caso do Auxílio Brasil, por exemplo, estamos falando de famílias que vivem na linha da extrema pobreza, com ganho de até R$ 210 por pessoa.

Embora os R$ 600 não seja suficientes para adquirir todos os produtos de uma cesta básica, ou os R$ 1 mil capazes de abastecer os caminhões com diesel durante um mês inteiro, o valor é benéfico sim! Sejamos justos em afirmar que qualquer ajuda financeira em tempos de crise é importante.

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A grande questão meu amigo, é como este pagamento tem sido usado para tentar convencer você que o ideal é votar no governo X ou governo Y.

Os benefícios sociais podem influenciar nas eleições?

Parece que sim! Hoje, os dois nomes que lideram as pesquisas de intenção de votos à presidência nacional são justamente Jair Bolsonaro e Lula. E ainda, de acordo com a pesquisa FSB/BTG publicada nesta segunda-feira, 25, também são eles que têm a melhor posição entre os beneficiários do Auxílio Brasil.

Bolsonaro inclusive cresceu nas intenções de votos comparando o período de 11 de julho em diante, sendo que foi justamente o momento em que ele sancionou a PEC que permitiu o pagamento maior do auxílio. Neste prazo ele passou de 20% para 28% na intenção de votos dos beneficiados pelo programa.

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Enquanto isso, Lula ocupa o primeiro lugar tendo subido cinco pontos no mesmo período, agora possuí 59% das intenções. Embora esteja na primeira colocação, no mês anterior quando o pagamento de R$ 600 e o vale gás de R$ 120 ainda não eram uma realidade, ele chegava a ocupar 73% da intenção de votos deste público.

Outro grupo também foi analisado, o daqueles que não recebem o Auxílio Brasil, mas vivem com alguém que recebe. Neste caso, Lula subiu de 54% para 64% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro ganhou apenas dois pontos, saindo de 22% para 24%.

Independente da sua escolha política, a nossa recomendação é: lute pelos seus direitos! Se você está enfrentando um momento ruim financeiramente, não deixe de correr atrás das políticas públicas que o governo oferece.

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Este não é um pagamento do governo X ou Y, este é um pagamento feito com verba pública, logo é dinheiro do brasileiro e que deve ser usado sim para melhorar a nossa qualidade de vida.

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Lila Cunha
Lila Cunha é formada em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Atua como repórter especial para o portal FDR. É responsável por selecionar as informações abordadas e garantir o padrão de qualidade das notícias veiculadas. Além disso, trabalha com apuração de hard news desde 2019, cobrindo o universo econômico em escala nacional.