Motoristas de apps estão fazendo sexo com passageiros por renda extra

Aplicativos de transporte particular entraram no dia a dia da maioria dos brasileiros. Para os passageiros, é uma forma geralmente mais barata e cômoda de se chegar aonde deseja. Para os motoristas, é uma forma de ganhar uma renda extra ou mesmo garantir a sobrevivência.

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Mas uma reportagem da Folha de S. Paulo revelou como a relação entre passageiros e motoristas de aplicativo pode ser bem menos “profissional”. Profissionais de apps como Uber, 99 e InDriver relataram anonimamente que o sexo pago em viagens é uma prática comum, já sendo, inclusive, combatida pelas plataformas.

Motoristas estariam se prostituindo por valores entre R$ 50 e R$ 150. Na grande maioria das vezes, a prática ocorre entre motoristas homens e passageiros também homens. Apenas uma parcela muito pequena dos casos ocorreria entre motoristas e passageiros de sexos diferentes ou envolvendo mulheres.

A forma como os “programas” ocorrem nas viagens pode variar bastante. Em alguns casos, é combinado por mensagem no aplicativo, antes de o passageiro embarcar. Como as plataformas proíbem automaticamente termos sexuais, códigos estariam sendo usados, como a letra “b” para se referir a “sexo oral”.

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Em outras situações, a negociação ocorre já dentro do carro, geralmente por iniciativa do passageiro. Também há casos em que os motoristas procuram “clientes” através de aplicativos voltados para o público LGBTQIA+, como Grindr.

A relação pode ocorrer com o carro em movimento ou parado, em um motel ou até na casa dos passageiros.

Precarização dentro da precarização

Os motoristas relataram que a prostituição nas viagens por aplicativo aumentou bastante após o início da pandemia e, especialmente, neste ano. O aumento do custo de vida em geral e do custo dos combustíveis em particular estaria por trás do crescimento da prática.

“A prática é o resultado de uma crise quando parte da população não consegue mais sustentar o preço dos combustíveis e as contas não fecham. Você tem realmente algo aí com elemento de crueldade”, relatou à Folha Luciane Soares, professora de sociologia na UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense).

Para a especialista, a prostituição entre passageiros e motoristas de app representa a “precarização dentro da precarização”.

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Procurada, a Uber disse “qualquer comportamento que envolva violência, conduta sexual, assédio ou discriminação ao usar o aplicativo resultará na desativação da conta”.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.