Este homem foi preso por criar ‘império de pirâmides de bitcoin’

Ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e ex-garçom, Glaidson Acácio dos Santos está preso desde agosto do ano passado, acusado de comandar um esquema bilionário de pirâmide financeira usando bitcoin e de ordenar o assassinato de rivais nos negócios.

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De pastor a faraó

Conhecido como “faraó dos bitcoins”, Glaidson tem uma trajetória incomum. De família humilde, foi pastor da IURD na Venezuela, onde conheceu sua esposa, a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa. Ela é acusada de ser a mentora intelectual do esquema fraudulento e estaria foragida em Miami, nos Estados Unidos, de onde continuaria fazendo operações com criptomoedas.

O casal Mirelis e Glaidson, acusado de comandar esquema de pirâmide com criptomoedas. Foto: Reprodução/redes sociais.

O casal começou os esquemas de pirâmide ainda na Venezuela, mas após se mudarem para o Brasil, em 2015, Glaidson atuou como garçom em quiosques de Cabo Frio e num resort em Búzios, no estado do Rio de Janeiro. Seus rendimentos à época eram modestos: cerca de R$ 62 mil por ano. Mas a partir de 2016 sua renda começou a crescer vertiginosamente, chegando a R$ 60 milhões em 2020.

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As movimentações financeiras de Glaidson nos últimos anos geraram suspeitas de instituições financeiras e de autoridades. A Foxbit, corretora de criptomoedas, encerrou em 2018 uma conta de titularidade do “faraó”, após ele não conseguir comprovar a renda necessária para movimentar tanto dinheiro em criptos.

Em 2020, bancos também encerraram contas milionárias da GAS Consultoria Bitcoin, empresa que o casal Glaidson e Mirelis usava para aplicar os golpes. A empresa possui registro legal, mas não é autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar o tipo de operação que anunciava aos seus clientes.

A GAS dizia fazer transações de arbitragem, daytrade e position trade em criptomoedas e prometia um rendimento fixo de 10% para os novos investidores. O rendimento, no entanto, só era possível com a entrada de novos clientes, configurando um esquema de pirâmide.

Assassinatos e deputado federal

Glaidson também é suspeito de ter ordenado duas tentativas de homicídio, em março e julho de 2021. Na primeira, o rival no negócio de criptomoedas e também residente de Cabo Frio, Nilson Alves da Siva, conseguiu escapar e passou a denunciar o “faraó” pelo crime.

Já em agosto, outra morte teria sido encomendada, a do youtuber e trader Wesley Pesssano, que não teve a mesma sorte. Ainda nesse mês, Glaidson foi preso na Operação Kryptos, que também conta com outros 15 réus, incluindo a esposa, Mirelis, e funcionários da GAS.

Mesmo após ser preso, o “faraó dos bitcoins” continua ativo nos negócios e teria movimentado R$ 228 milhões em criptomoedas, convertidas por sua advogada Eliane Medeiros de Lima.

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Além disso, Glaidson anunciou no início do mês, pelas redes sociais, que será candidato a deputado federal nas eleições deste ano. Ele se filiou ao partido Democracia Cristã em abril e fez diversas ações sociais nos últimos anos, que podem ser interpretadas como preparativos para uma futura candidatura.

Entre as ações está a doação de R$ 72 milhões para a Igreja Universal entre 2020 e 2021, em nome próprio e no nome da GAS Consultoria.

Glaidson pode concorrer nas eleições por ter sido condenado apenas em primeira instância, sendo que a Lei da Ficha Limpa proíbe candidaturas de condenados a partir da segunda instância.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.