EXCLUSIVO! Em entrevista, representante dos caminhoneiros fala sobre greve e recusa novo auxílio de Bolsonaro

Crise dos combustíveis afeta milhares de trabalhadores em todo o Brasil. Nos últimos dias, a população vem acompanhando constantes reajustes no valor da gasolina e do diesel, para quem sobrevive do transporte, como os caminhoneiros, o cenário é de muitas incertezas e angústias. Abaixo, entenda o que essa categoria diz sobre o novo auxílio sugerido por Bolsonaro.

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EXCLUSIVO! Em entrevista, representante dos caminhoneiros fala sobre greve e recusa novo auxílio de Bolsonaro (crédito: assessoria APECAM)
EXCLUSIVO! Em entrevista, representante dos caminhoneiros fala sobre greve e recusa novo auxílio de Bolsonaro (crédito: assessoria APECAM)

Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro, buscando amenizar as chances de greve, anunciou que estará pagando um auxílio caminhoneiro no valor de R$ 1 mil. A medida já foi aprovada no Senado e objetiva garantir a popularidade do atual chefe de estado nas eleições de outubro.

Para além das estratégias políticas, a crise dos combustíveis vem afetando diretamente o bolso dos caminhoneiros que atuam como autônomos. A venda do combustível em dólar reduz o poder de circulação dessa classe trabalhadora que revela não crer mais nas promessas de Bolsonaro.

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Atentos a essa realidade, o FDR convidou Renato Amorim, associado da APECAM (Associação Pernambucana de Caminhoneiros) para uma entrevista exclusiva. Abaixo, ele explica porque o auxílio caminhoneiro é insuficiente, quais as probabilidades de uma nova greve e o posicionamento político da categoria nessas eleições. Acompanhe:

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Qual a probabilidade de o país vivenciar uma nova greve dos caminhoneiros? O que falta para essa tomada de decisão?

A probabilidade integral? A probabilidade é pouca, porque não tem um sindicato ou uma pessoa responsável que lute pela classe. Nacionalmente, não tem sindicato que lute pela classe, eles estão do lado do governo. Não há probabilidade nenhuma de uma adesão de greve. As empresas também não colaboram para isso, porque elas têm uma facilidade com o combustível de preço mais em conta. O autônomo em si é só, ele é sozinho. As empresas não ajudam, o agronegócio também não, tem muita carência.

Quais são os reajustes e propostas solicitados pela categoria?

É se pegar no preço do combustível, né? Por quê? Porque o país de norte a sul, leste e oeste, ele é movido pela malha rodoviária que somos nós. Entendeu? E não tem ninguém que ajude e responda por isso.  Precisamos baixar o preço do combustível e ter condições para que o transporte brasileiro, que está falido, retornasse novamente como era antes. Dava pra todo mundo.

Atualmente, quais são os principais problemas/dificuldades enfrentados pelos caminhoneiros?

O preço do combustível é o grande problema. Além disso, há questões também com as estradas e a segurança. Outro problema sério são as transportadoras, onde o autódromo não pode pegar uma carga direto na distribuidora porque existe uma política da transportadora de pegar o frete cheio e repassar com a margem de lucro absurda para eles e para nós lá embaixo.

Recentemente o presidente Jair Bolsonaro anunciou a criação do Auxílio Caminhoneiro com o valor de R$ 1 mil. O benefício é bem quisto entre a categoria? O que você comenta sobre?

Veja só do preço que está o combustível, vou lhe dar o exemplo: o governo quer dar uma colaboração de mil reais. Cada abastecimento diário é em torno de três mil reais, três mil e quinhentos, então fica inviável, uma proposta pouca para um gasto alto. Se torna insignificante.

Com relação ao benefício ser bem quisto pela categoria, o governo faz isso tirando de outros órgãos, como saúde, educação, etc, mas não vai favorecer a classe autônoma, entende? Quanto não mudar a política de preço não há uma resolução efetiva.

Para a APECAM quem é visto como o responsável pelo encarecimento do Diesel?

O Governo Federal, apenas.

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O movimento dos caminhoneiros aprovou, em 2018, a candidatura de Jair Bolsonaro. Pode-se afirmar que o presidente cumpriu as promessas apresentadas durante o período de campanha?

Não. Simplesmente não. O presidente não cumpriu nada do que foi prometido na campanha dele, principalmente para os caminhoneiros na classe autônomo.

Qual o posicionamento da APECAM diante das eleições de 2022, haverá apoio declarado há algum candidato?

Não.

Qual a visão da APECAM em relação às questões atuais envolvendo o ICMS dos Combustíveis, política de preços da Petrobras e possível privatização da mesma?

Veja só, o que está gerando tudo isso aí é a política de preço da Petrobras. Não é correto ela ser privatizada, porque ela é nossa, uma estatal do nosso país e a gente tem o petróleo suficiente para manter o consumo e distribuição. A gente tem sobrando esse combustível pra isso.

O que tá faltando é uma política de preço. Por quê? Porque a Petrobras tem muito acionista estrangeiro que é quem está monopolizando essa situação . Certo que estamos passando por uma situação de crise, que a guerra e a pandemia interfere, mas a atual política de preço precisa ser reajustada, fazer uma refinação aqui do próprio país.

Precisamos ter o combustível pago em real e não em dólar. Não existe isso.

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É válido ressaltar que ainda não há uma previsão para a concessão do auxílio caminhoneiro. Além disso, o Governo Federal vem se articulando com organizações nacionais que representem a categoria para boicotar uma possível greve.

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