Passagem aérea sobe 88% em um ano: especialista explica o aumento e orienta sobre como comprar mais barato

Brasileiros deixam de viajar de avião diante do alto custo das passagens aéreas. Nos últimos meses, o setor de aviação vem sofrendo constantes reajustes. Está cada vez mais caro embarcar para qualquer região do país. Há uma série de motivos que culminam nesta alta, porém especialista explica como baratear os custos. Acompanhe os detalhes, abaixo.

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Se você está planejando uma viagem, fique atento. Apesar do encarecimento das passagens aéreas, há outras formas de conseguir seu bilhete por um valor mais barato. Diante dos conflitos mundiais e também dos reajustes no preço dos combustíveis, o setor de aviação passou a cobrar mais caro pelo transporte.

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Visando explicar os motivos do encarecimento e trazer dicas para compras mais baratas, o FDR convidou Luiz Moura, sócio fundador da VOLL. Em entrevista exclusiva, ele detalha como o uso de milhas pode auxiliar na hora de fechar negócio, previsão de barateamento e mais.

Por que as passagens de avião subiram tanto no último ano?

Hoje, cerca de 30% do valor da passagem aérea é combustível (QAV). Tendo isso em mente, não podemos deixar de considerar como a Guerra na Ucrânia tem influenciado esse cenário. A Rússia é a terceira maior produtora de combustível do mundo (com 11% da fatia de mercado), atrás apenas de Estados Unidos (19%) e Arábia Saudita (13%). Após a eclosão do conflito, em fevereiro, diversos países embargaram a compra de combustível russo e, deste modo, a demanda do produto ficou menor e essa passou a ser a principal razão para o aumento das passagens, embora existam outros. Nos últimos meses as altas seguem uma crescente e o resultado é nitidamente percebido. De janeiro até início de junho, por exemplo, o combustível dos aviões acumulou alta de 64,3%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A variação do dólar também interfere nos preços, mas não é o único nem o principal fator que ocasiona o aumento.

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Como o reajuste dos combustíveis interfere no preço das passagens aéreas?

Com o embargo ao petróleo Russo imposto pelo presidente norte-americano Joe Biden, o valor do barril de petróleo aumentou em torno de 167%. Além disso, observamos uma certa instabilidade no preço do câmbio do dólar, principalmente por estarmos em ano de eleições presidenciais. Esses fatores interferem diretamente no querosene de aviação, que, hoje, representa 30% do valor da passagem aérea. É importante observar também que vivemos dois anos de pandemia, que afetaram diretamente o setor de aviação, e que agora não tem condições de absorver mais estes custos sem sofrer sérios prejuízos. Portanto, se o preço dos combustíveis sobe, uma hora ou outra, as companhias aéreas precisam repassar esse aumento de custo para seus consumidores finais, seja no preço das passagens ou dos serviços auxiliares.

A cobrança no despacho das bagagens também é motivada pela crise dos combustíveis?

Sim, como disse anteriormente, é um dos serviços impactados pelo aumento dos combustíveis. Além disso, é importante lembrar que o volume e o peso de bagagem interferem diretamente no consumo de combustível durante os voos. Quanto mais peso, mais combustível é consumido e, por consequência, maior é o aumento do preço das passagens aéreas.

Qual o cenário até o final de 2022? Há uma previsão de baixa?

A expectativa é positiva quando se trata de viagens, tanto a lazer quanto a trabalho, pois as pessoas querem ter a oportunidade de transitar agora que estão vacinadas e se sentindo mais confortáveis com as medidas de higienização que a pandemia da Covid impôs. O setor de viagens corporativas, por exemplo, comemora pela primeira vez desde 2019, a superação dos valores alcançados naquele ano anterior à pandemia. O faturamento das atividades relacionadas ao mercado de viagens corporativas foi de R$ 7,8 bilhões no mês de março, segundo dados do LVC, criado pela Fecomércio SP em parceria com Alagev. Tal volume representa uma alta de 290% em comparação ao mesmo período de 2021, quando atingiu R$ 2 bilhões. Índices como esses têm sido crescentes desde então. As eleições presidenciais, querendo ou não, também contribuem para o cenário de instabilidade.

De todo modo, o cenário mais otimista seria aquele que contasse com o fim da guerra da Ucrânia e a suspensão do embargo à compra da Rússia, somado a fatores como o juros brasileiro aumentar e atrair capital externo ou outra ação semelhante que gere esse retorno.

Ainda compensa viajar de avião? Por quê?

Sim, claro que compensa. Se tratarmos apenas de trechos nacionais, não podemos esquecer que o Brasil é um país de dimensões continentais e que não temos outras opções de transporte tão eficazes como o deslocamento aéreo, no momento.

Existe alguma forma de o consumidor conseguir driblar os altos preços?

É importante que o viajante tenha consciência de compra, pois conseguir um preço menor está diretamente ligado ao comportamento. Ser flexível com horários e dias menos concorridos é uma boa alternativa para isso.

Atualmente qual companhia aérea apresenta as menores taxas?

Difícil eleger uma ou outra. O que posso realmente sugerir é que o usuário esteja atento e procure agir com planejamento e flexibilidade.

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Quais os trechos mais baratos para voar dentro do Brasil?

Aqueles trechos com mais demandas de números de voos e mais curtos serão, muito provavelmente, os mais baratos..

Como utilizar as milhas de forma correta para reduzir o valor da passagem?

O primeiro passo é conhecer bem o plano de milhagem escolhido. Aqui não há muito como escapar, é preciso ler e acompanhar as regras, as quais podem ser alteradas sem aviso prévio.

Poderia listar 5 dicas de como a população pode comprar suas passagens com o menor preço?

  1. Sugiro planejar para antecipar a compra das passagens com cerca de três semanas antes da data da viagem. Por exemplo, em uma ponte aérea saindo do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Santos Dumont, no Rio de Janeiro, a mesma passagem aérea pode ter aumento de até 216% se, ao invés de comprada com 20 dias de antecedência, ela for adquirida apenas 3 dias antes;
  2. Teste turnos diferentes para a mesma viagem;
  3. Teste também um dia antes ou depois para partida e chegada, para a mesma viagem, quando possível;
  4. Avalie ainda opções diferentes de aeroportos. Um exemplo é Maragogi, em Alagoas. A cidade do litoral nordestino está praticamente à mesma distância tanto do aeroporto de Maceió (124km), capital do mesmo estado, quanto de Recife (130km), capital do estado vizinho Pernambuco;
  5. No caso do viajante corporativo, a empresa que tem em mãos ferramentas modernas, como plataformas que ofereçam recursos arrojados, terão com certeza mais chances de economizar, pois por meio delas é possível ter comparativos de preços, mais agilidade e transparência no processo de reservas.
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