Maternidade e empreendedorismo: especialista traz dicas para as mães que desejam abrir um negócio

Mulheres seguem na luta pelo espaço no mercado profissional. O empreendedorismo vem crescendo consideravelmente no Brasil e dentro desse grupo as mães se desdobram para manter os negócios e cuidar dos filhos. Apesar do grande desafio, é possível identificar mulheres de sucesso nesse ramo. Abaixo, acompanhe uma entrevista exclusiva com Karen Louise, idealizadora e CEO do Compre de uma Mãe.

Ser mulher no Brasil nunca foi fácil, mas em tempos de crise econômica essa realidade se complica ainda mais. Para aquelas que optaram por abrir o seu próprio negócio, inúmeros são os desafios. O empreendedorismo materno surge como uma proposta para auxiliar mães que se dividem entre a carreira e a educação dos filhos.

Abaixo, o FDR convidou a idealizadora e CEO do Compre de uma Mãe, Karen Louise, para debater um pouco mais sobre o assunto. Ela explica quais são os maiores desafios do empreendedorismo em seu contexto e traz uma série de dicas para quem está iniciando. Acompanhe.

Quais os desafios para mulheres empreenderem no Brasil?

Além da média da renda ser menor para a trabalhadora autônoma, conforme mencionei na questão anterior, outros desafios estão presentes no cotidiano das mulheres empreendedoras, como o preconceito e a falta de uma rede de apoio, seja em casa, mas também no trabalho. A rede de apoio corporativa é tão importante quanto a pessoal, pois ela vai auxiliar a rotina da mulher na sua construção e realização profissional, além do alcance da renda, claro. Priorizar o comércio materno na vizinhança e manter parcerias de negócios que viabilizem a cobertura da profissional em necessidade de ausência, por exemplo, são suportes que parecem simples, mas são fundamentais por estarem diretamente ligados, muitas vezes, apenas a questões impostas por multitarefas do cotidiano da mulher.

Como escolher um segmento para empreender?

Na busca por um segmento, o melhor é enumerar as áreas as quais você se identifica e/ou já tem conhecimento prévio e, então, estudá-las mais a fundo para avaliar a viabilidade. Você pode começar respondendo a perguntas como: “Há demanda por esse produto/serviço?”, “Quem seriam meus clientes?”, “A concorrência está consolidada ou há espaço para crescimento nesse meio?”, “Eu sei fazer esse produto/serviço ou seria preciso terceirizar?”, “Como ter acesso a esses produtos?”, “A venda seria online, presencial ou híbrida?”, entre outras questões.

Existem segmentos que são mais “fáceis” de se empreender quando se é mãe?

Muito provavelmente, negócios em que a empreendedora que é mãe possa definir seu horário de trabalho com flexibilidade terão mais chance de sucesso, mas não quer dizer que serão mais fáceis. Além disso, empreendimentos que possam ser viabilizados de casa também facilitam a vida das mães que, muitas vezes, precisam conciliar o trabalho com as tarefas domésticas e os cuidados com as crianças. A sobrecarga da mãe infelizmente ainda é um cenário que não podemos deixar de considerar. Para facilitar, no portal do Sebrae, por exemplo, há uma sessão exclusiva com ideias de negócios para se inspirar. Recomendo o acesso.

Quais as principais orientações para mulheres que querem investir e não têm capital para isso?

Busque parcerias. Estar unida a outras mulheres fará de você mais forte. Se você tem facilidade com vendas, você pode conversar com pessoas de sua confiança que façam artesanato ou bolos de pote, por exemplo, e oferecer uma porcentagem para fazer a ponte viabilizando de forma mais efetiva a área comercial, que pode estar ali estagnada. Se sua habilidade está ligada à tecnologia e à comunicação, você pode oferecer serviços de administração de redes sociais ou designer de panfletos para propaganda. Se sua vocação está ligada à parte burocrática, você pode visitar o varejo da sua vizinhança e ofertar serviços ligados à organização administrativa, como atualização de alvará, entre outros.

https://www.youtube.com/watch?v=Rmetm-wjq20

Como buscar crédito para empreender?

Regularizar o negócio e ter um CNPJ é importante para ter vantagens em relação a linhas de crédito. Por isso, eu sugiro que, inicialmente, a empreendedora se inscreva como microempreendedora individual (MEI). Atualmente há opções incentivadas pelo governo, como é o caso do Sistema Nacional de Garantia de Crédito, instituído em agosto de 2021. De acordo com a lei, o sistema de garantias deverá proporcionar a essas firmas tratamento diferenciado, favorecido e simplificado. De todo modo, vale uma avaliação prévia criteriosa para saber se fazer esse empréstimo é realmente necessário e qual o valor a ser solicitado.

Dez dicas para que mães possam empreender em diferentes segmentos:

  1. Eleja um dia para organizar as tarefas da semana. O domingo pode ser uma boa opção;
  2. Faça uma lista dos afazeres relacionados ao empreendimento e os distribua em uma agenda ao longo da semana;
  3. Não se esqueça das tarefas pessoais e domésticas, pois elas também ocuparão boa parte do seu tempo;
  4. Para não ficar sobrecarregada, você pode colocar em cada dia aquela tarefa mais importante e elaborada, complementando com outras que poderão ser feitas mais rapidamente;
  5. Se preciso, faça ajustes diários, mas tente não postergar as tarefas para a semana seguinte;
  6. Não tenha receio em buscar ajuda quando necessário;
  7. Se possível, compartilhe aquelas tarefas que outra pessoa pode fazer por você (mesmo que não as realize da mesma forma), assim você pode aliviar a carga e se sentir mais leve e realizada;
  8. Não deixe de aperfeiçoar seus conhecimentos na área de atuação. Você pode acompanhar redes sociais e canais no Youtube que falam sobre o tema;
  9. Fique de olho também no que empresas do mesmo segmento têm feito. Você pode criar alertas no Google com palavras-chave;
  10. Dá para otimizar seu tempo ouvindo conteúdos enquanto está no trânsito ou realiza tarefas em casa.

 

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestra em ciências da linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo na mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.