Fila de espera do Auxílio Brasil bate novo recorde; entenda

O Auxílio Brasil foi lançado no final de 2021 contemplando, a princípio, somente as famílias que já eram amparadas pela antiga transferência de renda, o Bolsa Família. De 14,6 milhões de famílias, hoje o programa já atende pouco mais de 18 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade social. 

Fila de espera do Auxílio Brasil bate novo recorde; entenda
Fila de espera do Auxílio Brasil bate novo recorde; entenda. (Imagem: FDR)

Mas apesar de inclusões pontuais, a fila de espera do Auxílio Brasil cresce em um ritmo acelerado. A disparada foi notada, principalmente, desde o mês de março. Hoje, metade dos municípios brasileiros possuem registros de famílias que, mesmo em situação de pobreza ou pobreza extrema, ainda não fazem parte da folha de pagamentos do programa. 

A principal justificativa pela não ampliação no número de elegíveis ao programa consiste na falta de verba para atender integralmente todos os necessitados. Dados do Ministério da Cidadania apontam que o Governo Federal já reconhece a existência de uma fila de espera do Auxílio Brasil em 2.525 cidades, do total aproximado de 5.500 municípios brasileiros. 

Isso quer dizer que, 764 mil famílias que já tiveram o cadastro aprovado pela pasta ainda precisam aguardar um aumento no orçamento do programa ou a exclusão de algum beneficiário para conseguir uma vaga. Por ora, somente assim é possível receber a mensalidade de R$ 400 caso o cidadão não tenha sido incluído em oportunidades anteriores.

Os números representam a alta na demanda por assistência social em um período no qual o desemprego e a inflação são fatores agravantes na economia do país, se sobrepondo à capacidade do programa. 

E embora o Ministério da Cidadania ainda não tenha se manifestado sobre a fila de espera do Auxílio Brasil, nota-se o empenho do presidente Jair Bolsonaro quanto ao funcionamento do programa durante a corrida eleitoral, visando se manter na presidência por mais quatro anos a partir de 2023. 

Bolsonaro que, por anos em sua carreira política se posicionou contra iniciativas sociais, travando pautas enquanto pôde já na presidência da República, mudou drasticamente as investidas com a chegada da pandemia. 

Em meio à crise sanitária, o presidente enxergou a oportunidade perfeita para se popularizar às custas da população vulnerável através da liberação de recursos sociais, a começar pelo auxílio emergencial. 

Notando o sucesso obtido pelo programa, que teve início em 2020 e foi renovado em 2021, Bolsonaro se concentrou na reestruturação do Bolsa Família. Assim surgiu o Auxílio Brasil após quase um ano de tratativas, no intuito de consolidá-lo como a marca registrada do governo Bolsonaro, assim como o Bolsa Família é automaticamente associado ao PT. 

Porém, mesmo em meio a tamanho alarde diante do lançamento do Auxílio Brasil, levou algum tempo para o governo conseguir cumprir as promessas básicas do programa.

A primeira delas se refere ao valor da mensalidade liberada, que, durante meses foi anunciada a R$ 400 e chegou pagando a média de R$ 217,18. Somente neste mês de maio o valor prometido foi fixado e o programa tornou-se permanente. 

Neste sentido, uma pesquisa do Datafolha divulgada na última semana, mostrou que a substituição do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil ainda não proporcionou os dividendos eleitorais a Bolsonaro como desejado. 

Entre os que informaram receber o benefício, o presidente conquistou apenas 20% das intenções de voto. Enquanto isso, o ex-presidente e pré-candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, alcançou 59% das intenções de voto deste mesmo público.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.