Poupança vai completar 2 anos perdendo da inflação; entenda como isto é ‘fatal’ para o seu bolso

Pontos-chave
  • Poupança está rendendo abaixo da inflação há quase dois anos
  • Março bateu recorde de retiradas na modalidade
  • Poder de compra caiu nos últimos cinco anos

Os brasileiros estão enfrentando um cenário de pressão inflacionária insistente e aqueles que deixam seu dinheirinho na Poupança não estão tendo bons retornos. A poupança está prestes a completar dois anos com os juros negativos, isto é, abaixo da inflação.

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De acordo com um levantamento realizado pela plataforma Economatica, em abril, o retorno real da poupança no acumulado de 12 meses ficou negativo em 6,58%, ao passo que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) bateu 12,13% no mesmo parâmetro de comparação, o patamar mais alto desde outubro de 2003.

Segundo os dados, a última vez que a poupança teve uma rentabilidade acumulada em 12 meses superior ao da inflação foi em agosto de 2020, quando o retorno real da modalidade foi de 0,45% em um ano.

Mesmo com os recentes aumentos da Selic, a taxa básica de juros, que de forma geral faz aumentar a atratividade da renda fixa, não fez com que o rendimento da poupança crescesse.

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Apesar do patamar atual da Selic estar em 12,75% ao ano e com perspectivas de crescer ainda mais, a aplicação da caderneta permanece com o rendimento estagnado em 6,17% ao ano, mais a TR (Taxa Referencial).

A poupança possui uma remuneração de 0,5% ao mês sempre que a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Já quando a Selic está num patamar de até 8,5%, o rendimento da poupança corresponde a 70% da Selic. A aplicação é isenta de Imposto de Renda.

“Quanto mais sobe a taxa Selic, o rendimento da poupança fica mais distante de compensar sequer a inflação, quanto mais comparado com outros investimentos em renda fixa que também são seguros, como o Tesouro Direto e as LCAs e LCIs, que permitem um ganho muito maior”, disse Andrew Storfer, diretor de economia da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças) ao Yahoo Finanças.

Segundo dados mais novos do Banco Central, mesmo com o cenário atual, cerca de 164 milhões de brasileiros guardavam algum valor na poupança ao final de 2019. De qualquer forma, as retiradas em cadernetas de poupança no mês de março, superaram os depósitos em R$ 15,4 bilhões, de acordo com dados do BC.

Este volume de retiradas foi o mais alto para o mês de março desde o início da série histórica em janeiro de 1995 e também o terceiro mês seguido de captação negativa em 2022.

O saldo da poupança, isto é, o volume total aplicado, após as retiradas de março teve uma queda de R$ 10 bilhões, indo de R$ 1,016 trilhão em fevereiro para R$ 1,006 trilhão em março.

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O fluxo de recursos na poupança começou a acumular retiradas expressivas ainda no ano passado, justamente quando o poder de compra da população voltou a ser ameaçado  por uma inflação na casa dos dois dígitos.

Poder de compra despencou nos últimos anos

A inflação oficial do pais veio crescendo de maneira acelerada nos últimos cinco anos. O IPCA, em 2018, estava em 3,75%, patamar que pulou para 10,06% em 2021. Considerando os 12 meses até março de 2022, a inflação atingiu os 11,30%, sinalizando mais um ano de disparada de preços. Em 2013, por exemplo, uma nota de R$50 equivalia aos atuais R$86.

Diante da inflação em alta, entre março de 2017 a março de 2022, o real perdeu 31,32% de seu valor e poder de compra. Desta forma, atualmente com o mesmo valor, é possível comprar somente dois terços do que era possível adquirir em 2017.

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Os aumentos são sentidos diariamente pela população que sempre encontram preços mais elevados para os mesmos produtos e serviços. A inflação se reflete no bolso das famílias de acordo com a faixa de renda.

Para a população mais pobre, o encarecimento nos preços de alimentos e do gás de cozinha abocanha uma grande parte da renda no início de 2022. Em 11 capitais pelo menos, somente os produtos que compõem a cesta básica já eram equivalentes a cerca de 50% do salário mínimo no mês de março.

As famílias de alta renda, por sua vez, perceberam mais os reajustes nos transportes, que  foram puxados pelo aumento da gasolina.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.