Educação financeira para crianças: como os pais devem servir de exemplo para os filhos aprenderem a gastar de forma consciente

Pontos-chave
  • - O FDR convidou o economista Marco Cordeiro para explicar como os pais devem se portar diante dos filhos

Se você é pai ou responsável por alguma criança, fique atento. Ao longo do processo de desenvolvimento os pequenos precisam ter educação financeira. Dentro de casa, muitos dos seus comportamentos podem estimular práticas negativas com relação ao uso do dinheiro. Abaixo, um especialista traz detalhes sobre esse assunto.

Ser pai e mãe é também orientar as crianças e adolescentes quanto ao uso do dinheiro. A educação financeira faz parte do processo de formação dos futuros adultos de modo que seja essencial ter bons exemplos em casa.

Muitos especialistas afirmam que o comportamento dos adultos é visto como uma bússola orientadora para as crianças. No entanto, é preciso ficar atento as formas de manipulação dos pequenos para conseguir o que querem.

Buscando ampliar o debate sobre esse assunto, o FDR convidou o economista Marco Cordeiro para explicar como os pais devem se portar diante dos filhos. Em entrevista exclusiva para o portal, ele fala sobre os riscos do consumismo infantil e como controlar os gastos dos pequenos. Acompanhe.

Como você enxerga os riscos do consumismo infantil para o orçamento e as finanças da família?

Não saber dizer não, pode ser desastroso para a criança no futuro.

Crescer sem saber administrar o dinheiro poderá leva-la a situações de endividamento, e com isso: infelicidade no trabalho ou profissão, dificuldades de relacionamentos e muito mais. A psicologia já afirmou que há uma sensação de prazer no consumo, de forma que muitos adultos buscam no consumo, uma forma de compensar suas tristezas e frustrações. Embora o prazer através do consumo possa ter uma curta duração de tempo, provoca muitas vezes um círculo vicioso; pois há o consumo para compensar a tristeza, depois há a realidade das contas a pagar e novamente a tristeza pelas compras sem necessidade e pelo novo endividamento e então a nova fuga ao consumo.

Muitos pais se sentem ‘culpados’, quando o dinheiro não dá para comprar o que o filho pediu. Qual o conselho para afastar essa culpa?

O que uma criança mais precisa é de atenção e companhia. Em qualquer cidade há passeios e eventos gratuitos, os quais podem ser valorizados. Outra opção é compartilhar algumas tarefas, como pintar uma cadeira, arrumar uma guarda roupa, e mostrar o resultado como forma prazerosa à criança. A leitura também deve ser incentivada como forma de lazer. Não é só brinquedos, celulares e visitas ao shopping que podem proporcionar felicidade, isso cabe não só para a criança, mas para toda família. Pode ser interessante criar o plano de uma viagem, mesmo que esse projeto demore 3 ou 4 anos, mas deve ser alimentado por todos, o planejamento, o quanto poupar, como ir, para onde ir, onde ficar, entre outras decisões. Então, é mostrar para criança que não estamos comprando o que queremos, pois temos o sonho da viagem.

Os pais não devem ter culpa, não faltando amor, abraços e beijos, tudo o mais pode ser resolvido, não dá para comprar agora, mas pode ser que dê no futuro. E se não der? Outro dia pude ver um pai que construiu um carrinho de papelão para criança entrar dentro dele, outro pai construiu uma casinha também com papelão…a criança quer os pais presentes, quer brincar. Já pude ver crianças deixarem o celular, pois foram convidadas a jogar bola…já pude ver também crianças adotarem um cachorro e esse ser o melhor presente.

Que argumentos a criança costuma usar para ‘convencer’ os pais a gastar mais?

As crianças utilizam hoje o argumento: “passa no cartão”! Como se a fatura do cartão de crédito nuca fosse chegar, como se não fosse necessário pagar. Às vezes, parece que o cartão já possui o dinheiro acumulado, e então é só pagar com ele.

Essa é uma oportunidade também de ensinar, que o cartão é apenas uma ferramenta de tempo e as vezes, de possibilidade de fracionar o valor.

Qual o cuidado que os pais precisam ter diante dos argumentos e pedidos feitos pela criança?

Saber dizer não, é fundamental. Situar a criança na realidade, e didaticamente ensiná-la que para algumas coisas, alguns desejos, é necessário planejamento, poupança e tempo. Colocar a criança como participante desse processo. Um cofrinho pode ser o início do aprendizado.

Como os pais podem estimular o filho a poupar e pensar no consumo de forma consciente?

A criança deve compreender através do exemplo dos pais, a realidade a qual está inserida, e que não é impossível ter as coisas que deseja, mas que para isso é necessário: uma estratégia de poupar, aliada ao tempo. Uma forma interessante é estimular a criança com um pequeno valor semanal ou mensal, e descobrir o que ela deseja comprar, e ensiná-la quanto desse valor será necessário poupar em quanto tempo, para essa aquisição. E festejar quando acontecer a conquista. Procure iniciar com pequenas coisas, de pouco valor, lembre-se é apenas um exercício.

Mesada é uma forma de iniciar o controle da vida financeira? Como?

A mesada deve ser utilizada como uma ferramenta de ensino a criança, na qual ela deverá aprender a fazer escolhas de consumo, e também a poupar sempre uma parte do que recebeu, independente se pouco ou muito. A mesada não deve estar condicionada a uma tarefa ou serviço; pois essas obrigações levam a criança a não gostar de tarefas, e no futuro, não gostar do trabalho, para ter dinheiro.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestra em ciências da linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo na mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.