Quanto o Brasil gasta para produzir as moedas? E as cédulas?

Pontos-chave
  • Custo de fabricação da moeda vem caindo desde 2018
  • Contratação da casa da moeda da Holanda pode ser uma das razões
  • Moedas de 5, 10 e 25 centavos custam mais caro para serem feitas do que o seu valor de face

A fabricação de cédulas e moedas de real ficou mais em conta nos últimos anos. Em média, o custo que estava crescendo desde 2016, começou a cair a partir de 2018. Um exemplo é a moeda de 5 centavos, que em 2016 custava R$0,28 para ser fabricada. Já em 2018, o valor caiu para R$0,20. No ano seguinte, o preço caiu novamente, para R$0,14. As informações são do Banco Central.

Um dos motivos que podem explicar esta queda no preço foi a contratação  da Royal Dutch Mint, a casa da moeda da Holanda, para produzir um lote de moedas de 5 e de 50 centavos, em 2019. 30% das moedas de 5 centavos produzidas no ano de 2019 (97,2 milhões de unidades) e quase 25% das moedas de 50 centavos (47,2 milhões de unidades) foram fabricadas na Holanda.

A finalidade do governo inicialmente era contratar a fabricação das moedas de todos os valores, no entanto não apareceram interessados no mercado, em especial por conta da dificuldade de achar os metais para a produção das moedas de 10 e 25 centavos e também a de R$ 1. Por conta disso, as moedas destes valores seguiram sendo fabricadas pela Casa da Moeda do Brasil.

Mesmo quando são fabricadas no Brasil pela casa da Moeda, as cédulas e moedas utilizam recursos e matérias-primas nacionais e importadas, e existem variações de preços no mercado interno e externo, informou o BC. 

Também foi explicado pelo Banco Central que o motivo principal para a variação nos preços é a quantidade produzida. Ao fabricar grandes quantidades, é possível adquirir matérias-primas por menos, e o preço médio fica menor.

Atualmente, somente as moedas de 5, 10 e 25 centavos custam mais caro para serem feitas do que o seu valor de face.

Como saber quais moedas foram fabricadas na Holanda 

Para saber quais moedas foram feitas na Holanda, o governo determinou que fosse estampado a letra A do lado esquerdo do ano “2019”. Sendo assim, se você achar uma moeda deste ano com a letra, significa sua fabricação foi feita na Holanda.

O governo já havia contratado empresas estrangeiras para produzir o real anteriormente. Em 2017, a empresa sueca Crane AB fabricou 100 milhões de cédulas de R$ 2. 

Como forma de identificar essas cédulas, em vez do nome do Banco Central do Brasil estar impresso no verso da nota, quem pegava a nota via escrito Crane AB. Existia ainda uma outra forma de identificá-las é olhar o número de série dessas cédulas, que sempre começa com o código “DZ”.

Total em circulação

De acordo com dados do Banco Central, atualmente no país está em circulação cerca de 6,438 milhões de cédulas de real. A nota com mais unidades em circulação é a de R$ 50: 1,934 milhão.

A quantidade de moedas é de 26,745 milhões de unidades. A de R$ 0,10 é a que tem mais unidades em circulação, com 7,092 milhões de unidades.

O BC disse ainda que entre 2011 e 2012, as cédulas de R$ 2, R$ 5 e R$ 10 duravam em média 14 meses. As notas de R$ 20, em torno de 16 meses, e as de R$ 50 e R$ 100, em torno de 36 meses. Não existem dados sobre a duração média da nota de R$ 200.

O que diz a Casa da Moeda 

À CNN, a Casa da Moeda diss que “a redução do custo médio de cédulas e moedas desde 2016 decorreu predominantemente de ganhos de eficiência na Casa da Moeda do Brasil, que forneceu de forma total ou majoritária as taxas de cédulas e moedas no período, não de fornecimentos casuais por fornecedor estrangeiro”.

“A Royal Dutch Mint, citada na matéria, é a produtora exclusiva das moedas de seu país, a Holanda. Sua capacidade excedente é vendida a custos marginais a países que sujeitam a emissão ao interesse comercial privado. A Casa da Moeda do Brasil sempre terá o compromisso em manter a autossuficiência nacional, assumindo os custos relacionados a essa opção”.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.