Por que é importante ter investimento em moedas fortes

Você investe no exterior? Ou realiza todos os seus aportes dentro do Brasil? Se você já investe há algum tempo, provavelmente já ouviu falar que deveria ter uma parte da sua carteira dolarizada, porque o dólar é uma moeda forte. Mas afinal, o que isso significa? É realmente importante?

Em primeiro lugar, saber como invstir no exterior pode ser uma excelente estratégia para a diversificação de uma carteira de investimentos e para buscar por melhores oportunidades.

A melhor forma de tornar isso possível é abrindo uma conta em uma corretora de valores norte-americana. Lá, você terá acesso a empresas do mundo inteiro. 

Outras maneiras de investir no exterior são por meio de Fundos de Investimentos no Exterior e Exchanged Traded Funds (ETFs). ETFs são produtos que reúnem um conjunto de ações em um mesmo ativo e que apresentam uma gestão passiva, apenas seguindo a distribuição de carteira de um índice.

Outra forma é por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), um certificado de depósito de ações estrangeiras, negociado em reais.

Agora que você já sabe algumas possibilidades de como investir no exterior, precisamos entender o porque isso é essencial. Abaixo estão listadas algumas das vantagens:

  • Diversificação: torna o investidor independente à medida em que ele não depende apenas de investimentos no seu país de origem. Entre 2012 e 2016 a bolsa brasileira caiu mais de 40%, enquanto o dólar foi de US$1,8 para US$ 4. 
  • Redução de riscos sistemáticos (fatores como queda no PIB e no consumo afetam as empresas e investimentos) e não sistemáticos (riscos específicos de um ativo ou conjunto de ativos). Como o risco sistemático atinge toda a economia do país, a solução se encontra em possuir exposição a outro país, que de preferência tenha baixa correlação com a economia do Brasi

Não é de hoje que o dólar é uma moeda forte, carregamos essa cultura há mais de século. A Belle Époque (1871 – 1914) foi o período histórico entre a Guerra Franco-Prussiana e a Primeira Guerra Mundial, sendo o progresso técnico científico ocidental o principal marco do período.

O final deste período reforçou a posição da Inglaterra como a maior potência do globo. Possuía as maiores reservas de ouro, maior marinha de guerra e armamento mercantil. A procura por libras esterlinas era grande, o que a tornou a moeda mais valorizada da época.

Com as duas grandes guerras, os Estados Unidos (EUA) puderam se consolidar como maior potência. O país foi responsável por abastecer os Aliados de materiais bélicos, o que gerou forte crescimento econômico, que foi essencial para a vitória na Primeira Guerra.

A Segunda Guerra teve o papel decisivo nessa consolidação. A Europa estava devastada e com recursos escassos por conta dos conflitos, sendo a solução realizar financiamentos com os EUA, o que ficou conhecido como Plano Marshall.

Em somatória, o desfecho da Guerra Fria a favor dos EUA reforçou a hegemonia do país ao passo que muitos outros se tornaram capitalistas. Até hoje, os EUA podem ser considerados a maior potência mundial; uma nação com força econômica, política e militar frente ao cenário internacional. 

Um país com essas características consegue exercer poder na ordem mundial. O lastro da economia deixou de ser o ouro e passou a ser o dólar. Não parece a descrição de um país no qual você se sentiria mais seguro em investir? Esse é um dos motivos que o dólar é considerado uma moeda forte.

Enquanto isso, no Brasil, vivemos períodos de crise econômica e política há anos. Nosso cenário instável afasta os investimentos do exterior, o que desvaloriza nossa moeda frente ao dólar.

Historicamente, o dólar tende a agir de forma inversa à valorização do real. O dólar oscila principalmente em função de três fatores:

  • Déficit da balança comercial: Brasil importa mais do que exporta;
  • Gastos no exterior: turistas gastando em dólares fora do país gera crescimento da demanda e, consequentemente, do preço;
  • Juros dos EUA: quando os juros norte-americanos sobem, a tendência dos investidores brasileiros é aumentar os aportes no exterior, aproveitando a maior rentabilidade.

Ou seja, investir em moedas fortes como o dólar te traz diversificação, redução de riscos, além de te deixar exposto à economia mundial, aumentar o seu potencial de retorno e as opções de investimento disponíveis. É por isso que muitos chamam o ato de investir em dólar, por exemplo, de hedge. É uma maneira de proteger seus investimentos. 

E aí, faz sentido para você expor uma parte de seu capital no exterior?

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Tiago Reis
Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas, Tiago Reis é Fundador e CEO da Suno Research, consultoria de análise financeira voltada para investidores pessoa física. Possui certificação CNPI (Certificação Nacional dos Profissionais de Investimento). Tiago iniciou sua carreira na Set Investimentos e é especialista em assuntos como mercado financeiro, bolsa de valores, investimentos, fraudes corporativas e finanças corporativas.