Programas de milhas estão perdendo espaço para outra opção; descubra qual é

Pontos-chave
  • Cashback vem ganhando terreno de programas de pontos e milhas
  • Benefício deve ser usado com cautela
  • Cashback está chegando aos bancos tradicionais

Muitos consumidores estão conseguindo adquirir diversos itens, pagar viagens, quitar dívidas, e muito mais utilizando plataformas que oferecem cashback, o famoso dinheiro de volta que recebemos após efetuar alguma compra. Na visão de especialistas, o aumento na demanda por este tipo de negócio no Brasil vem conquistando um terreno que antes era ocupado por programas de pontos no cartão ou milhas.

A educadora financeira da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), Myrian Lund, disse ao InfoMoney que mesmo que o uso do cashback seja vantajoso, ele deve usado de forma consciente e planejada. 

Myrian alerta que muitos consumidores acabam atraídos pela idéia do retorno imediato e gastam mais do que poderiam, ou até mesmo pagam mais caro por um produto para poder receber o dinheiro de volta.

Segundo ela, a presença do cashback foi puxada pelo crescimento do e-commerce em meio a pandemia do coronavírus e por um serviço que mira para os consumidores menos abastados com poder aquisitivo mais contido. “Antes, muitos clientes acabavam nem usando as milhas acumuladas, por não ter o suficiente para conseguir viajar com elas. Com o cashback, até as menores compras trazem uma sensação de recompensa”, explicou ela ao InfoMoney.

Na visão do CEO da Matera, Carlos Netto também para o InfoMoney, o cashback é uma maneira que as marcas encontraram para mitigar os seus gastos com aquisição de novos clientes. “Para as empresas, o cashback é um mecanismo de estímulo de vendas. Quando você paga, o resultado do investimento de marketing das empresas é materializado. Assim, ele é sustentável. Mas há também o cashback que é feito queimando capital, depende da empresa” explicou ele.

Aqueles que querem mergulhar no universo do cashback deve se atentar a alguns pontos relevantes. Quando for fazer alguma compra verifique as regras de cada empresa que oferece o serviço, entre elas qual é o porcentual de retorno, o prazo para compensação do valor a receber e o período de validade dos créditos.

Na visão de especialistas procurados pelo jornal O Estado de São Paulo, os consumidores precisam obedecer algumas regras de educação financeira para não tornar um benefício em uma dor de cabeça, evitando comprar no impulso e pesquisando empresas que ofertem melhores benefícios.

No último ano, o cashback no comércio eletrônico brasileiro foi responsável por um faturamento de R$10 bilhões, quase o dobro do montante registrado em 2020, de acordo com uma pesquisa da Cuponomia. “A pandemia fez o e-commerce crescer e puxou o cashback junto. Quem usa conta para os amigos, o que gera um crescimento exponencial”, disse Ivan Zeredo, diretor de marketing da empresa.

O Cashback vem avançando para as lojas físicas através dos cartões de crédito. Um exemplo é o Nubank, que oferta cashback para os clientes que optam por utilizar o cartão Ultravioleta. com 1% da fatura convertido em dinheiro de volta (que passa a render a 200% do CDI). “Oferecemos total flexibilidade para o cliente usar esse cashback da maneira que melhor entender”, disse ao InfoMoney Rusen Baragiola, líder da área de cartões do Nubank.

Este benefício que antes era restrito as fintechs ou bancos digitais, começa a aparecer também nos bancos tradicionais. O Santander começou a oferecer o benefício do cashback aos seus clientes em 2021. Já no Itaú, o serviço é encontrado em alguns cartões. “Nos bancos o foco era a média e alta renda. Com os bancos digitais, os tradicionais precisaram se mexer para não perder clientes”, disse Myrian Lund.

A Méliuz foi a primeira empresa a oferecer o serviço no Brasil e trabalha há mais de 10 anos no setor. A empresa teve que no início explicar para os consumidores que eles não pagaria a mais para ter acesso ao benefício. 

“O custo para o anunciante é reduzido em relação a anúncios em redes sociais porque ele só existe se houver venda, e o consumidor recebe uma parte da compra”, explicou Malu Tolentino, gerente de desenvolvimento de negócios no e-commerce ao InfoMoney.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.