Desemprego: pedidos de demissão batem novo recorde no Brasil; entenda o motivo

1.816.882 milhão de brasileiros perderam o emprego no mês de março, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mantido pelo Ministério do Trabalho e Previdência. O número de contratações foi apenas um pouco maior (1.953.071), totalizando um saldo positivo de 136,1 mil empregos, pior resultado desde abril do ano passado.

Mas um outro detalhe também chama a atenção nos números sobre emprego de março: o grande volume de pedidos de demissão, 603.136, o que corresponde a 33,2% do total. Trata-se da maior quantidade de demissões voluntárias desde janeiro de 2020, quando o Caged mudou a sua metodologia (o que tornou inadequada a comparação com período anteriores).

O que os dados vêm demonstrando é que o número de pedidos de demissão voluntária cresce desde o início da pandemia, em 2020. Em março daquele ano, as demissões voluntárias somaram 330,92 mil. Um ano depois, em março de 2021, elas foram 437,42 mil. Houve, portanto, um crescimento de 38% na comparação entre março de 2021 e março de 2022.

Desde agosto do ano passado, com exceção do mês de dezembro, o país vem registrando mais de 500 mil demissões voluntárias por mês. Mas o que explica um volume tão grande de brasileiros querendo deixar os seus empregos, em meio à inflação, desemprego ainda alto e incertezas na economia?

Melhores remunerações

Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, acredita que o crescimento das demissões voluntárias está relacionado com a recuperação da pandemia. Com o agravamento da crise sanitária, os brasileiros ficaram com receio de perder o emprego e se mantiveram em cargos que não correspondiam às suas qualificações. O que ocorre agora, portanto, é que esses profissionais estão buscando empregos mais adequados ao seu perfil.

Outro fator que ajuda a explicar os números dos últimos meses é a diminuição na remuneração média das vagas. Em março, por exemplo, também de acordo com o Caged, o salário médio de admissão foi de R$ 1.872,07, menor do que o registrado em fevereiro (R$ 1.910,79). Ou seja, os brasileiros também estão em busca de vagas com melhores salários.

Home office

Por fim, os especialistas também acreditam que uma boa parte das demissões voluntárias se deve à busca por mais flexibilidade, especialmente pela oportunidade de trabalhar em home office.

A pandemia fez com que muitos trabalhadores entendessem as vantagens desse modelo de trabalho, como poder estar mais próximo da família e perder menos tempo no trânsito. E agora, com a volta ao modelo presencial em muitas empresas, cresce o número de profissionais que optam por buscar vagas em home office.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.