Empregabilidade tem nova queda no Brasil; confira o último relatório divulgado pelo governo

O último relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Previdência na quinta feira (28), revela que março teve um saldo positivo de 136.189 empregos com carteira assinada no Brasil. Apesar de significativo, o número é menor que o registrado em março do ano passado, quando foram criados 153,431 empregos formais.

No total, foram 1,95 milhão de contratações e 1,81 milhão de demissões. Com isso, o Brasil terminou o mês com um estoque de 41,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

Estatísticas do emprego formal para março/2022. Imagem: Caged/Ministério do Trabalho e Previdência.

O resultado também é bastante inferior ao de fevereiro (329.404) e menor que o de janeiro (149.580). Com isso, o primeiro trimestre de 2022 fecha com 615.173 postos de trabalho preenchidos.

Os números de março de 2022, no entanto, são melhores que os de março de 2020, no início da pandemia, quando foram fechadas 295,1 mil vagas com carteira assinada. Não cabem comparações com anos anteriores a 2020 porque o Ministério do Trabalho e Previdência passou a adotar uma metodologia diferente nesse ano.

Pior que 2021

A geração de empregos atual é pior que a do início de 2021, quando o Brasil enfrentava o pior momento da pandemia. Mas apesar da grave situação sanitária, o ano passado foi marcado por uma recuperação da economia, o que pode ser observado no aumento de 4,6% do PIB no período.

Esse bom resultado em 2021 é atribuído à adoção de políticas públicas como o Auxílio Emergencial, o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.

Esse último, em especial, conseguiu evitar a demissão de cerca de 12 milhões de brasileiros através do pagamento do BEm. O fim do benefício em agosto do ano passado fez o ritmo de demissões aumentar, e isso se reflete até hoje.

Além disso, 2021 foi um ano de recuperação após forte queda nos indicadores em 2020, quando os impactos da pandemia foram mais sentidos na economia brasileira. Em 2022, esses indicadores estão se estabilizando e voltando a apresentar um comportamento mais parecido com o pré-pandemia.

A previsão do mercado para o crescimento do PIB este ano, por exemplo, é de 0,6%, enquanto a previsão do FMI (Fundo Monetário Internacional) é um pouco melhor: 0,8%. Outros indicadores também devem ter um desempenho negativo, em especial a inflação, que pode superar os 8%, de acordo com algumas instituições financeiras.

Além disso, a nossa economia está sendo prejudicada por fatores externos, como a guerra na Ucrânia, a inflação em escala global e a expectativa de alta dos juros nos EUA e menor crescimento da China. Nesse cenário, a geração de empregos tende a ser mais afetada.

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.