Ricos ganham 80 vezes mais que os brasileiros vulneráveis, mas contabilizam quedas em seus lucros

A crise sanitária provocada pela pandemia da Covid-19 combinada à alta da inflação impactou o bolso dos cidadãos brasileiros. Até mesmo os ricos que possuem salários altos enfrentam dificuldades no atual cenário econômico que o país enfrenta. 

Ricos ganham 80 vezes mais que os brasileiros vulneráveis, mas contabilizam quedas em seus lucros
Ricos ganham 80 vezes mais que os brasileiros vulneráveis, mas contabilizam quedas em seus lucros. (Imagem: FDR)

De acordo com um levantamento feito pela Folha de S.Paulo a partir de dados obtidos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), foi possível observar que o grupo de brasileiros 1% mais rico enfrenta uma queda na renda média do trabalho em 16,4%. O percentual foi contabilizado desde o início da pandemia, em meados de março de 2020. 

Porém, mesmo apresentando quedas nos lucros, este grupo de brasileiros ainda são 80 vezes mais ricos do que os profissionais 10% mais pobres. Trata-se de uma renda média de R$ 26.899 contra R$ 332. Para se ter uma ideia do cenário habitual, no quarto trimestre de 2019, antes do novo coronavírus chegar ao Brasil, a renda média de trabalho da parcela com 1% dos mais ricos era de R$ 32.157 ao mês. 

Agora, dois anos mais tarde, o rendimento caiu para R$ 26.899. É importante mencionar que o indicador apurado é o de renda média habitual de cada brasileiro, esteja ele ocupado por uma atividade formal ou informal.  

Análise dos desempregados

Vale mencionar que os desempregados não compõem os cálculos da Pnad Contínua considerados pela Folha de S.Paulo. Eles contemplam apenas as rendas obtidas pelo trabalho, deixando de lado quantias oriundas de investimentos e benefícios sociais. 

“Os trabalhadores estão com dificuldades para conseguir reajustes. A elite do funcionalismo, por exemplo, está mais no topo da distribuição de renda e tenta barganhar isso”, explicou o economista e pesquisador do Insper, Alysson Portella. 

Por outro lado, o professor André Salata, do programa de pós-graduação em ciências sociais da PUCRS, acredita que a explicação para a queda na renda dos brasileiros no topo da pirâmide é a alta da inflação. A base desta pirâmite é composta pelos rendimentos baixos, aqueles obtidos pelos trabalhadores 10% mais pobres do país, cuja renda caiu de R$ 324 para R$ 332. 

Entretanto, também é importante considerar o avanço na classe média, embora seja necessário ter certa cautela em virtude do efeito de composição do grupo. Isso porque, a pandemia da Covid-19 expulsou os trabalhadores vulneráveis do mercado, sobretudo os informais e com rendas menores.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.