Investidores buscam cada vez mais projetos verdes, mas não está facil encontrá-los

Os investidores internacionais estão em busca de projetos verdes e de demais instrumentos financeiros que poderiam auxiliar o Brasil a arcar com sua transição para uma economia de baixo carbono. Porém, não estão encontrando.

Esta foi a conclusão obtida por um estudo realizado pela Janus Henderson, uma gestora de investimentos britânica que mantém US$ 432 bilhões (R$ 2,19 trilhões) em ativos sob sua administração.

O relatório revelou uma demora do governo do Brasil e do setor privado em aproveitar a grande procura de estrangeiros por investimentos verdes. Isto ajuda a explicar a razão do nosso pais estar tão atrás no financiamento de seus objetivos de descarbonização.

“Atualmente há muito mais fundos focados em ESG (ambiental, social e governança, em  inglês) do que em qualquer outra época, mesmo nos mercados emergentes. Não há falta de demanda”, relatou Jennifer James, gerente de portfólio da Janus Henderson, em entrevista à Folha.

Conhecidos como green bonds eles são títulos de renda fixa que tem o objetivo de captar recursos para custear projetos sustentáveis, normalmente ligados a energia renovável, eficiência energética, gestão de resíduos e reflorestamento.

Janus diz que a emissão destes títulos vem aumentando a passos lentos no mundo corporativo do país, porém permanece nulo no nível governamental, diferente da situação  de países como o Chile.

Em sua visão, o posicionamento de Jair Bolsonaro e ausência de força política a respeito de questões ambientais não ajudam.

“O Brasil tem um líder que talvez não acredite nas mudanças climáticas, isso não ajuda. Então é preciso, primeiro, de alguém que aceite que isso está acontecendo para depois tentar resolver o problema”, disse.

O relatório elaborado por Janus destaca que grande parte dos países da América Latina já determinaram suas metas para extinguir as emissões líquidas de carbono. No entanto, isto não foi um fator impulsionador para a adoção de instrumentos de financiamento verde.

De acordo com a CBI (Climate Bonds Initiative), o mercado de títulos sustentáveis já bateu o montante de US$ 1 trilhão, porém, somente US$ 45 bilhões são oriundos da América Latina.

O Brasil está em segundo lugar como maior emissor, com US$ 8,7 bilhões em circulação, ficando atrás do Chile, que possui US$ 9 bilhões.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.