Rússia: bitcoin pode ser alternativa para país ‘driblar’ sanções; entenda

Pontos-chave
  • Características do bitcoin facilitam as transações entre pessoas;
  • A Rússia pode aproveitar especificidades da criptomoeda para ‘driblar’ punições;
  • Contudo, o país ainda deve enfrentar problemas devido às medidas do Ocidente.

Após a Rússia invadir a Ucrânia, foram anunciadas sanções para diminuir a capacidade da nação, liderada por Vladimir Putin, de realizar negócios. Apesar disso, no entendimento de especialistas, o bitcoin pode ser alternativa para país ‘driblar’ sanções.

Rússia: bitcoin pode ser alternativa para país 'driblar' sanções; entenda
Rússia: bitcoin pode ser alternativa para país ‘driblar’ sanções; entenda (Imagem: Montagem/FDR)

Diante do ataque da Rússia à Ucrânia, líderes do Ocidente aumentaram as sanções contra o país. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, definiu medidas que visam afetar bancos russos e sua dívida pública.

Uma das sanções anunciadas pelas nações do Ocidente é a exclusão da Rússia do Swift (Society for Worldwide Interbank Financial Telecomunication). Este é o sistema internacional de transferência de recursos entre instituições financeiras.

Contudo, por conta da tendência de adoção de criptomoedas na Rússia, as possíveis punições poderão ser evitadas.

Características do bitcoin podem ser aproveitadas pela Rússia

Ao InfoMoney CoinDesk, o cofundador e CTO da fintech anglo-brasileira Parfin, Alex Buelau, declara que uma das características do bitcoin é que ele é resistente à censura. Ou seja, nenhum governo pode evitar que uma transação aconteça.

O executivo explica que a criptomoeda funciona pelo sistema peer-to-peer, de indivíduo para indivíduo. Desse modo, não existe intermediário — e não existe possibilidade de barrar.

Por meio da tecnologia do bitcoin, duas partes — mesmo de nações diferentes — podem transferir a criptomoeda sem a necessidade de intermediação de um banco ou de uma companhia de remessa internacional.

A confirmação das transações ocorre na blockchain. Este é um banco de dados que registra as negociações dos usuários. A tecnologia funciona de modo que os próprios usuários sejam auditores da rede.

Esse processo de auditoria, aliado com o sistema de recompensas com o bitcoin, se chama mineração. Atualmente, a Rússia possui aproximadamente 11% do poder computacional focado na mineração da criptomoeda.

Por conta disso, Buelau argumenta que o bitcoin tende a ser bastante utilizado e bastante difundido em ditaduras. Isso porque é uma forma das pessoas evitarem regras estabelecidas por um regime ditatorial. Em parte, esse fator explica porque a criptomoeda tem grande adoção na Rússia.

O bitcoin possui diferenciais em relação às transações com moedas locais
O bitcoin possui diferenciais em relação às transações com moedas locais (Imagem: Montagem/FDR)

Rússia vem demonstrando interesse em ampliar o uso do bitcoin

Hoje, a Rússia visa legalizar a atividade de mineração. Também há o objetivo de possibilitar a o uso do bitcoin como investimento. Essa busca indica que a nação de Putin observa a criptomoeda como uma possível aliada.

Conforme dados da consultoria Tripple A, A Rússia é o segundo país mundial com maior percentual de habitantes que usam moedas digitais, com 11,91%. A nação está atrás somente da Ucrânia, que possui 12,73%.

Em nota, o diretor de investimentos da QR Asset, Alexandre Ludolf, declara que, recentemente, A Rússia reconheceu o bitcoin como moeda. Segundo ele, há uma proposta para que a mineração seja regularizada.

Diante deste panorama, a adoção de cripto pode ser impulsionada. A implantação pode ser pela população, para se proteger da volatilidade econômica em meio à guerra.

Além disso, o uso pode ser pelas companhias, oligarcas e o próprio governo, como formar de ‘driblar’ os embargos e sanções as serem aplicados.

O Tesouro dos Estados Unidos tem ciência do problema relativo às criptomoedas.
Em relatório divulgado em outubro, as autoridades alegaram que as criptomoedas diminuem potencialmente a eficácia das sanções da nação norte-americana.

Isso acontece ao possibilitar que maus atores mantenham e transfiram fundos fora do sistema financeiro tradicional.

Rússia ainda pode enfrentar problemas devidos às sanções

À CNN, o especialista em anti-crptoativos, Ross S. Delston, ressalta a dificuldade de comprar qualquer coisa com moedas digitais — principalmente as mais grandes.

Por exemplo, historicamente, a Rússia importou alimentos. O especialista questiona se um exportador de alimentos aceitaria criptomoedas, que possuem flutuação diária, em vez de desejar dólares americanos, moeda de reserva mundial.

Delson ainda cita outra complicação. O comércio de petróleo, que abrange grande parte da economia russa, é denominado em dólares americanos.

O especialista afirma que para utilizar criptomoeda para adquirir qualquer coisa, há a necessidade de existir uma saída para uma moeda emitida pelo governo — como o dólar.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.