NFT’s são apreendidos em operação antifraude no Reino Unido

Pontos-chave
  • Aconteceu a apreensão do primeiro NFT;
  • Três tokens não fungíveis de obras de arte digital foram confiscados pelo Departamento Fiscal do Reino Unido;
  • O NFT é a sigla para o termo non fungible token, ou “token não fungível”.

Aconteceu a primeira apreenssão de NFTs no Reino Unido, como parte de uma operação contra um caso de fraude de aproximadamente US$ 1,9 milhão. Três tokens não fungíveis de obras de arte digital foram confiscados pelo Departamento Fiscal do Reino Unido, junto a US$ 6,7 mil em criptoativos. 

A autoridade ainda alertou que esse é um aviso para aqueles que acham que podem usar ativos digitais para ocultar dinheiro.

Essas informações partiram da Her Majesty’s Revenue and Customs (HMRC), o órgão fiscal responsável do Reino Unido, e foram inicialmente compartilhadas com a BBC News

O governo britânico considerou essa primeira apreensão de NFTs  um marco no combate à lavagem de dinheiro, golpes, fraudes e outros tipos de crimes financeiros envolvendo ativos digitais.

No último domingo (13), foi divulgada a operação que  prendeu três indivíduos suspeitos de uma fraude que teria envolvido 250 empresas falsas. Segundo a HMRC, eles usaram todos os mecanismos possíveis para ocultar o crime, desde endereços falsos, telefones pré-pagos, VPNs e até identidades roubadas.

Porém,a apreensão dos NFTs, dada a natureza das carteiras digitais, chaves privadas e da própria rede blockchain, não deu à autoridade fiscal britânica controle dos tokens. Em vez disso, a HMRC usou uma ordem judicial para bloquear transações e impedir que eles sejam vendidos. Ao todo, estima-se que a fraude tenha sido de US$ 1,9 milhão.

Apreensão inédita

As criptomoedas decolaram no último ano, por conta disso, apreensões gigantescas se tornaram cada vez mais comuns. 

Vale lembrar que na semana passada o Departamento de Justiça dos EUA apreendeu US$ 3,6 bilhões em bitcoin (BTC) vinculadas ao hack da Bitfinex em 2016, a maior apreensão de criptomoedas da história. 

As apreensões de NFTs são muito raras, e a HMRC fez questão de destacar a importância da medida inédita no Reino Unido.

De acordo com o vice-diretor de crimes econômicos da HMRC, Nick Sharp, a autoridade “se adapta constantemente às novas tecnologias para entender como criminosos e evasores procuram esconder seus bens.” Em entrevista à BBC News, ele afirmou que a apreensão “serve como um aviso para quem pensa que pode usar criptoativos para esconder dinheiro do HMRC”.

O que são NFTs?

O NFT é a sigla para o termo non fungible token, ou “token não fungível”. Estes,são tokens, ou seja, códigos numéricos com registro de transferência digital que garantem autenticidade aos seus donos. 

Assim, eles funcionam como itens colecionáveis, que não podem ser reproduzidos, mas sim transferidos. Diferente das criptomoedas, como o Bitcoin, e vários tokens utilitários, os NFTs não são mutuamente intercambiáveis. 

Os NFTs podem realmente ser qualquer coisa digital, mas muito do “hype” gira em torno da arte digital. Esses podem representar virtualmente qualquer tipo de item, seja ele real ou intangível, incluindo:

– Trabalhos artísticos;

– Itens virtuais dentro de videogames, como skins, moedas digitais, armas e avatares;

– Música;

– Colecionáveis, como cards digitais;

– Ativos do mundo real tokenizados, desde imóveis e carros a cavalos de corrida e tênis de marcas famosas;

– Terrenos virtuais;

– Vídeos de momentos icônicos do esporte.

Essa digitalização de arte conquistou diversos adeptos e o mercado de NFT explodiu com mais de US$400 milhões movimentados apenas nos primeiros meses de 2021. 

O que pode ser uma NFT?

Os quadros físicos e digitais, músicas, itens de jogos, memes, fotos de momentos do esporte, domínios de sites, vídeos e até posts em redes sociais podem virar tokens não fungíveis.

Quais os NFTs mais caros da história?

Beeple Colletions 

Foi criado por Mike Winkelmann, conhecido como Beeple, um artista digital que já trabalhou para grandes empresas nos Estados Unidos. Há poucos meses ele não tinha relevância alguma no mercado de arte.

No dia  11 de março, Beeple vendeu um arquivo JPG chamado de “Everydays – The First 5000 Days” por US$69,3 milhões. A obra é uma colagem de todas as obras criadas por Beeple nos últimos 5 mil dias. 

Sua coleção conta com outras obras valiosas como o “The Infected Culture” avaliado em US$288 mil.

CryptoPunk #3100

Foi criado por Larva Labs, uma companhia que se descreve como “casa para nossos projetos profissionais e experimentais”. Ela é dirigida pelos engenheiros de software Matt Hall e John Watkinson. 

O CryptoPunk é a coleção mais famosa de NFT da empresa, sendo composta de 10 mil bonecos pixelados com características únicas como roupas, cor de pele, sexo e raça (aliens, zombies, macacos e humanoides). O boneco mais valioso foi o CryptoPunk 3100, um dos 9 raros aliens punks. 

O CryptoPunk 7804 foi vendido pelo mesmo preço em ether mas a moeda estava menos valorizada em relação ao dólar no momento da compra. 

Primeiro Tweet

O primeiro tweet foi feito por Jack Dorsey, criador do Twitter, fundador da Square e um grande investidor no bitcoin.  

O primeiro tweet ainda está sendo arrematado pelo preço de 2,5 milhões ou 1630,5825601 ether. Isso significa que o preço ainda pode aumentar por este NFT histórico. 

Terreno no game Axel Infinity

O seu criador foi Sky Mavis é o estúdio do famoso game em blockchain Axie Infinity. 

Os games em blockchain também se beneficiam dos NFTs, com itens raros sendo vendidos livremente entre gamers. Dentre um desses itens foi um terreno no Axie Infinity, um jogo inspirado no universo do Pokémon onde os players podem batalhar, coletar, crescer e construir reinos para seus pets. 

The Best I Could do

O criador da obra foi Justin Roiland, um dos criadores do famoso cartoon Rick And Morty. Além de ser dublador, diretor e dono de um estúdio de games, Justin também vende arte no blockchain. Quanto talento. 

A obra “First Rick and Morty Crypto Art” vendida por US$150 mil da coleção “The Best I Could do” que arrecadou pouco mais de US$1 milhão.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.