Petrópolis: prefeitura gastou mais com Natal do que com obras para contenção de encostas

A cidade de Petrópolis tem sofrido as consequências das fortes chuvas que assolaram a região nos últimos dias. O resultado foram enchentes, deslizamentos, vítimas feridas e mortas, casas e estabelecimentos comerciais destroçados.

Tendo em vista que se tornou o mais novo palco de desastres naturais que já passaram por outras regiões do país desde o final do ano passado, Petrópolis tem chamado a atenção quanto a outros temas que vieram à tona somente agora. Um deles é o fato de a cidade manter a cobrança da Taxa do Príncipe, imposto incidente sobre a venda de imóveis na cidade.

Agora, ‘a bola da vez’ foi identificada após uma apuração que mostrou os gastos da prefeitura de Petrópolis com a decoração de Natal em 2021 e publicidade. A preocupação está no fato de o investimento para ambos os setores terem ultrapassado o valor gasto em contenção de encostas.

Ao analisar dados apresentados no Portal da Transparência, o UOL pôde notar que foi reservada a quantia de R$ 2,107 milhões para obras de contenção à queda de barreiras. Nota-se o uso do termo ‘reservado’, o que quer dizer que a verba não necessariamente foi aplicada como deveria.

No que compete à verba investida em iluminação de Natal – R$ 1,105 milhão – e propaganda – R$ 4,426 milhões, há a soma de um gasto total de R$ 5,531 milhões. Os números apontam que a soma destes gastos consistem em mais que o dobro da simples reserva para a contenção de queda de barreiras.

A quantia destinada pela prefeitura de Petrópolis à “iluminação cênica, ornamental e decorativa para o Natal Imperial 2021” superou os recursos voltados à obras de contenção no 1º Distrito, que foi justamente o mais afetado pelas chuvas. É importante explicar que o 1º Distrito também está diretamente associado ao mapeamento feito através do Plano Municipal de Redução de Riscos

Para esses serviços, a administração municipal fez a reserva de R$ 940,4 mil. Destacando que este plano existe desde o ano de 2017, cuja responsabilidade é detalhar o aprofundado de casas situadas em áreas de risco alto ou muito alto.

Na época em que o último levantamento foi feito considerando o cenário apenas do 1º Distrito, foram identificadas 15.240 moradias em situação de risco. Precisamente na região do morro da Oficina, eram 729 casas em situação de perigo, sendo que 249 se encontravam em um cenário ainda mais grave.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.