O equilíbrio entre a ignorância e o excesso de informações

Com o surgimento da internet, a maneira em como as pessoas compartilham informações e se comunicam foi revolucionada. Informações que até então eram pouco acessíveis ou que eram caras para se obter, estão a poucos cliques de distância.

Para os investidores, essa infinidade de informações sobre qualquer investimento ou empresa de forma instantânea tornou as coisas muito mais fáceis. Basta acessar um computador ou celular que é possível ter acesso a demonstrativos financeiros, indicadores, fatos relevantes, e todas outras informações necessárias para a tomada de decisão.

O problema é que assim como investir sem nenhuma informação é prejudicial, com o excesso delas também. Não bastasse isso, a própria qualidade dessas informações cria um segundo problema.

Hoje em dia somos bombardeados com milhares de artigos, posts em redes sociais, notícias “ruins” (talvez nem tanto assim) divulgadas pelas grandes mídias com manchetes tendenciosas, até mesmo as variações dos ativos a cada segundo podem prejudicar um investido impaciente.

O primeiro grande problema que isso causa, é a sobrecarga de informações. Quanto mais difícil for filtrar aquilo que é verdadeiro, ou até mesmo o que é importante, mais difícil é tomar uma boa decisão.

Por exemplo, qual a importância que uma notícia informando uma queda de 20% na receita líquida em algum trimestre tem para um value invistor olhando para o longo prazo? Provavelmente nenhuma.

Mas e quando essa informação vem junto com uma opinião, muitas vezes infundada, com uma manchete insinuando uma nova crise ou até mesmo que uma empresa está passando por dificuldades? na teoria, continuaria sem importância, mas na prática, faria muitos investidores mudarem sua estratégia de investimento e até se desfazerem de alguma posição.

Essas informações podem até fazer sentido para um especulador olhando em um horizonte de algumas horas, mas com certeza não para alguém olhando 10 anos à frente.

Lembrando, a questão não é que se deve ignorar toda e qualquer informação, mas sim separar o que é real e possui fundamentos, com aquilo que é um ruído.

O segundo problema, é que o excesso de informações pode levar a um excesso de confiança e criar a falta de sensação que obter mais informações realmente levam a melhores escolhas, quando na verdade apenas fazem o investidor pensar que levam.

Em outras palavras, as pessoas tendem a equiparar certas informações que absorvem, com algum tipo de conhecimento prático, criando uma certa ilusão de conhecimento.

E essa ilusão, é extremamente perigosa na hora da escolha dos investimentos. Portanto, o mais importante é aprender a filtrar apenas o que é importante. Investir na ignorância é um grande problema, porém se encher de informações sem utilidade também é.

Na prática, desenvolver uma estratégia e até mesmo um checklist das informações mais importantes que você deve analisar pode ser um bom passo inicial. É com um plano que se otimiza a análise de qualquer investimento, e evita a mudança de foco para quaisquer outras coisas.

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Tiago Reis
Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas, Tiago Reis é Fundador e CEO da Suno Research, consultoria de análise financeira voltada para investidores pessoa física. Possui certificação CNPI (Certificação Nacional dos Profissionais de Investimento). Tiago iniciou sua carreira na Set Investimentos e é especialista em assuntos como mercado financeiro, bolsa de valores, investimentos, fraudes corporativas e finanças corporativas.