Open Banking fracassou no Reino Unido; o que podemos aprender por aqui?

Pontos-chave
  • O open banking é uma ferramenta liberada para os bancos;
  • No Reino Unido, essa ferramenta não deu certo;
  • Aqui no Brasil ele foi implantado em 4 fases.

Na segunda-feira (10), foi divulgado um relatório dos analistas do BTG, liderados por Eduardo Rosman, afirmando que, embora o impacto potencial do open banking sobre o sistema financeiro pode ser enorme, a adesão da população provavelmente ocorrerá gradativamente.

De acordo com o relatório, esse compartilhamento de dados gera desconfiança por parte dos clientes, pois eles pensam que só trará benefícios para os bancos. Mas, quando o cliente tem um acesso fácil aos serviços financeiros adaptados para as suas necessidades a adesão do open banking deve ser maior.

No Reino Unido, o assunto está gerando polêmica. Mesmo sendo considerado um dos países mais avançados do mundo e inspiração para vários outros países, incluindo o Brasil, o open banking foi criticado por Anne Boden, fundadora e CEO do banco digital Starling. 

Anne afirmou recentemente que a iniciativa fracassou porque não há demanda de consumidores e nenhuma instituição conseguiu criar um modelo de negócios lucrativo.

Os críticos dessa ferramenta no Reino Unido dizem que a adoção do regime cresce muito lentamente, enquanto os principais bancos britânicos reclamam dos grandes investimentos que tiveram de fazer para colocar o sistema de pé. A pressão ocorre em um momento delicado.

No mês de outubro, o chefe da Entidade de Implementação do Open Banking (OBEI, na sigla em inglês), Imran Gulamhuseinwala, renunciou ao cargo depois que uma investigação encontrou uma cultura de bullying, intimidação e má governança. O OBEI é uma estrutura temporária e no momento a Autoridade de Competição e Mercado (CMA) está discutindo se transforma a entidade em um novo regulador ou coloca sob o guarda-chuva de uma agência que já existia.

Após as declarações de Boden, no fim de dezembro um grupo de 50 executivos de fintechs divulgou uma carta criticando a fundadora do Starling. Eles disseram que ela estava tentando impedir a inovação e afirmaram que a executiva “fez uma simplificação exagerada da proposta do open banking”.

O que é Open Banking?

É um sistema financeiro aberto, que possibilita aos clientes de produtos e serviços financeiros permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes instituições autorizadas pelo Banco Central e a movimentação de suas contas bancárias a partir de diferentes plataformas e não apenas pelo aplicativo ou site do banco, de forma segura, ágil e conveniente.

Quando foi lançado no Reino Unido?

O open banking foi estabelecido no Reino Unido em 2017 e atualmente possui cerca de 4 milhões de usuário cadastrados. Autoridades e outros atores envolvidos no open banking brasileiro sempre citam o modelo britânico como referencial, mas também alertam que o sistema precisa de tempo para atrair os consumidores.

Fases de implantação no Brasil

O sistema começou em fevereiro de 2021, com uma etapa 1 mais burocrática, que consistia no compartilhamento de dados das instituições participantes entre elas.

Já na segunda fase, que começou em no dia 13 de agosto e começou a impactar o dia a dia do consumidor com a possibilidade de compartilhar dados cadastrais, como nome, CPF/CNPJ, endereço, informações de crédito, cartões, entre outros.

A fase 3 começou em 29 de outubro e foi transacional: os consumidores podem fazer transações, como pagamentos e transferências, utilizando o Pix no âmbito do Open Banking, assim, será possível fazer um pagamento via Pix por canais que não necessariamente são o internet banking do seu banco.

A 4 fase permitiu o compartilhamento de informações sobre os investimentos, seguros, previdência e serviços relacionados ao câmbio. 

Assim, os bancos terão que tornar públicas as informações sobre produtos com CDB, LCI, LCA, RDB, cotas de fundos, títulos públicos, entre outros.

Além disso, será aberto um chamado, denominado “open finance”, que é a união de compartilhamento de dados bancários (open banking) e o de seguros (open insurance). 

A intenção é que o sistema de vendas dos produtos tenha mais clareza e assim, o cliente pode contratar serviços conforme o que for mais vantajoso para o próprio bolso e situação financeira no momento.

Segundo o Banco Central, os clientes sempre terão que autorizar os bancos a compartilharem informações financeiras ou receberem dados de outras instituições.

Seguindo o cronograma, no dia 15 serão abertos os dados de produtos e serviços, enquanto no dia 31 de maio do ano que vem serão abertos os dados transacionais referentes aos seguros, investimentos e câmbio.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.