Do auge ao fundo do poço: empresa de celulares encerra operações; entenda o que aconteceu

Pontos-chave
  • A BlackBerry encerrou o suporte dos celulares homônimos;
  • Essa decisão foi inesperada;
  • A marca está presente no segmento de dispositivos móveis desde 1984.

Na terça-feira (4), a empresa BlackBerry optou por encerrar o suporte aos celulares homônimos, conhecidos pelo seu teclado físico e pelo estilo que marcou época no mundo corporativo de uma década atrás.

Segundo a empresa, diversos aparelhos “não terão segurança suficiente” para acessar a internet, fazer ligações e enviar SMS a partir desta data.

Porém, a decisão foi inesperada. Faz parte da mudança de perfil da empresa nos últimos anos e já havia sido anunciada no final de 2020. 

Essa situação afeta ainda os clientes com endereços de e-mail da BlackBerry, que precisarão migrar para outras ferramentas.

“Estamos focados em fornecer software e serviços inteligentes de segurança para empresas e governos em todo o mundo”, disse a empresa.

Essa mudança vai acabar com o aparelho que, apesar de ter perdido espaço permanece popular até hoje por conta de quesitos de confiabilidade e segurança.

Os aparelhos do teclado físico foram procurados no mundo por executivos que utilizavam o celular para trabalhar e jovens que disparavam mensagens para seus contatos.

A queda da BlackBerry se acentuou em meio ao crescimento de outros sistemas operacionais mais flexíveis e passíveis de atualizações mais frequentes, como o Android. Em 2010, por exemplo, a BlackBerry alcançava 16% dos celulares vendidos, segundo a consultoria Gartner. O Android, por sua vez, estava em 22,7% dos aparelhos e a Apple, em 15,7%.

No último trimestre de 2016, porém, a participação do BlackBerry caiu para apenas 0,0481%, de acordo com a Gartner. Naquele momento, o Android tinha 81,7% do mercado, enquanto a Apple detinha cerca de 17,9%.

Uma das últimas tentativas de se reinventar foi a parceria com a TCL, que, em 2018, lançou modelos como o BlackBerry Motion, já com Android e tela touch.

A marca está presente no segmento de dispositivos móveis desde 1984, ano em que foi fundada com o nome de Research in Motion (RIM). Desde então, lançou aparelhos de destaque, como o BlackBerry 5810 no começo dos anos 2000, que trazia agenda eletrônica e rede 2G.

O fim do BlackBerry começou em 2016, quando a empresa parou de fabricar seus próprios dispositivos. Na ocasião, passou a licenciar software para a empresa chinesa TCL, que continuou a lançar dispositivos da marca até deixar de fabricá-los em agosto de 2020, quando terminou o acordo.

História da BlackBerry

Em 1984, os estudantes de Engenharia Mike Lazaridis e Douglas Fregin fundaram a Research in Motion (RIM). Esse é o nome original da empresa, que só se tornou oficialmente BlackBerry em 2013. Mas “RIM” nunca colou tanto e acabou se tornando o principal produto da linha, a mudança foi bem natural. 

A empresa começou como um laboratório de engenharia em um pequeno escritório alugado. Porém, já era ambiciosa e mirava em um mercado novo para o Ocidente: redes sem fio. A RIM lançou terminais e serviços de conexão, sendo a primeira empresa das Américas com produtos de conectividade wireless. A rede utilizada era uma plataforma chamada Mobitex, bastante usada por serviços militares e de segurança pública.

No ano de  1992 entrou outra figura famosa na empresa. Trata-se de Jim Balsillie, que assumiu como co-CEO ao lado de Lazaridis. Já o outro cofundador, Douglas Fregin, se aposentou cedo. Desde 2007, ele, sempre o mais tímido e discreto da dupla, vive como bilionário, participando de corridas automobilísticas e financiando pesquisas de saúde na África.

Começo

Após alguns anos oferecendo serviços de rede e realizando pesquisas, a RIM entrou no mercado de hardware. Mas o primeiro hardware não tinha nada a ver com telefones: foi o DigiSync Film KeyKode Reader, de 1990. O aparelho fazia a leitura e a sincronização de películas e ajudou muito na pós-produção de filmes. Anos depois, ele rendeu à marca um Oscar e um Emmy por contribuição técnica.

Porém, a estreia no segmento em que ela ficou mais famosa foi só em 1996. O produto se chamava RIM-900 [email protected] Pager, tinha formato flip e foi o primeiro pager mensageiro. Ele usava a rede Mobitex e suportava HTML e email.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.