Paralisação da Receita Federal afetam importações e exportações

Os auditores fiscais da Receita Federal decidiram na última segunda, 27, realizar as chamadas “operações tartarugas” nos processos de liberação de cargas em portos, aeroportos e fronteiras, o que está deixando os empresários, em especial, do setor industrial, apreendidos. 

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De acordo com representantes da área de comércio exterior, a lentidão deve começar a ser sentida em até uma semana no desembaraço de mercadorias exportadas e importadas, em um cenário que as industrias buscam acelerar sua produção com o auxílio de importações e economia brasileira precisa reaquecer. 

A situação pode se agravar caso o abandono de cargos de chefia por auditores, que foi comunicado na última semana, se confirme. Isto se refletirá diretamente em áreas estratégicas, como o sistema portuário. 

A decisão pelo afastamento da categoria das funções de confiança, foi tomada, segundo eles, pela falta de regulamentação do chamado “bônus de eficiência” e dos cortes no Orçamento de 2022, que retiraram recursos do Fisco e que impossibilitou o reajuste salarial dos servidores.

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“Eles (os auditores) vão começar a parar cargas, fazer inspeções mais demoradas e exigir mais documentação. Em três ou quatro dias, haverá um atraso muito grande na liberação portuária. Isso já aconteceu outras vezes e a indústria fica refém”, falou o consultor internacional Welber Barral, ex-secretário da Receita Federal.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), disse que existe um receio sobre qual será a situação em uma semana. Segundo ele, o processo de liberação de manufaturados será o mais afetado, uma vez que a paralisação dos auditores não se refletirá nos perecíveis, como os alimentos.

“Poderá haver atrasos ou cancelamentos de operações. Greve nunca ajuda, sempre atrapalha”, falou Castro.

O Sindifisco disse em nota, que até o momento, a entrega de cargos foi aderida por 738 auditores em postos de chefia, com 93% dos delegados (chefes de unidade) do Brasil. 

Todas as áreas são atingidas, em especial, as alfândegas, portos e aeroportos, e pontos de fronteira do país, com um processo mais devagar nas importações e exportações.

“A semana de recesso de final de ano acaba gerando menor impacto, pois o volume de cargas é pequeno. Mas em janeiro a tendência é haver um represamento importante, inclusive de importações e exportações de alimentos”, destacou o Sindifisco.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.