Mulheres pagam mais caro que homens em vários produtos similares; saiba o motivo

Pontos-chave
  • De acordo com pesquisa as mulheres pagam mais que homens em produtos semelhantes;
  • As mudanças acontecem até por conta da embalagem;
  • A taxa rosa, que em inglês é denominada pink tax, é o nome dado para a prática do mercado, de cobrar mais caro para os produtos específicos para as mulheres.

Mesmo tendo renda menor que a dos homens, as mulheres pagam mais caro por produtos similares apenas por serem adaptados ou, apenas, embalados para elas. A taxa rosa, que em inglês é denominada pink tax, é o nome dado para a prática do mercado, de cobrar mais caro para os produtos específicos para as mulheres.

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Mesmo sendo denominado de taxa, esse não é imposto, mas a aplicação de preços mais altos para produtos similares, com pequenas adaptações, seja de embalagem ou outras para as mulheres.

Ao realizar a pesquisa de preços de produtos, feita pela Agência Brasil, para os homens e seus equivalentes para as mulheres em diferentes setores:Farmácias, artigos esportivos, vestuário, acessórios para bebês e cabeleireiros.

De 10 produtos pesquisados, em três lojas diferentes, todos tiveram preços mais altos para mulheres em pelo menos uma das lojas. De tênis esportivos a lâminas de barbear azuis ou de depilação cor de rosa.

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No levantamento realizado, a diferença do preço foi de cerca de 35% a mais nos produtos destinados para as mulheres. 

A maior diferença foi no analgésico do laboratório multinacional GlaxoSmithKline. O Ibuprofeno 400 miligramas é encontrado nas farmácias com o nome fantasia Advil.

A cápsula do mesmo analgésico que vem na embalagem com a palavra ”Mulher'” custa quase o triplo que o mesmo remédio na versão que não especifica o gênero do usuário. Uma diferença de 190%.

De acordo com uma pesquisa da ESPM, os produtos rosas ou com personagens femininos são, em média, 12,3% mais caros do que os regulares.

Os produtos podem ser iguais, mas possuem valor de até 100% maior, como é o caso das lâminas. O modelo básico de uma calça jeans, de uma mesma marca, apresentou um aumento de 23% no preço da peça feminina, ou seja, a mulher paga mais apenas para ter um produto para o seu biótipo. 

Absorventes caros

Os absorventes têm uma tributação de cerca de 34,5% segundo a Associação comercial de São Paulo. Embora haja a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), entram nessa soma os impostos federais PIS e COFINS e o estadual ICMS.

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O preço médio de um pacote com oito absorventes custa em torno de R$ 5. A quantidade de absorventes depende do fluxo da mulher ou da menina, mas pode-se dizer, tranquilamente, que não se gasta menos que R$ 15 para cinco dias de fluxo menstrual. 

O valor pode parecer baixo para quem é das classes A e B, mas a quantia dificulta o acesso de muitas mulheres ao item, segundo a ONU Mulheres, 12% da população feminina mundial não usa o item de higiene básica porque não tem condições para comprar. 

No Brasil, essa taxa deve subir cerca de 22% entre meninas de 12 a 14 anos e 26% entre as adolescentes de 15 a 17 anos, segundo uma pesquisa realizada pela marca de absorventes Sempre Livre. 

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Atividade doméstica não remunerada

Por um lado as mulheres possuem gastos palpáveis, mas não é possível esquecer os gastos invisíveis, como as tarefas domésticas.

De acordo com o estudo orientado pela socióloga Arlie Hochschild e publicado no livro ‘O Mito da Beleza’, 90% das mulheres e 85% dos homens norte-americanos afirmam que as mulheres fazem todas as tarefas domésticas, mesmo se ambos tenham empregos externos do lar. 

Neste mesmo livro, a economista Heidi Hartmann calculou quantas horas cada integrante de um casal (de novo, ambos trabalhadores) e o resultado deu uma diferença de 21 horas a mais durante a semana para a mulher em relação ao homem.

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O número pode ser ainda maior se adicionarmos na equação a presença de crianças. Com a qualidade precária de serviços públicos como creches e atividades extra-curriculares, as mães acabam recorrendo a mais gastos, seja de tempo (ficando em casa para cuidar das crianças) quanto de dinheiro (contratando pessoas para cuidar ou buscar cursos particulares). 

Pressão estética

Além disso, há a “qualificação de beleza profissional”. Profissões e cargos que demandam grande visibilidade acabam exigindo um qualificação física para mulheres.

Em uma lista básica há serviços de beleza como físico atlético, dieta balanceada, semblante jovem e descansado, cabelo hidratado e tingido, depilação, unhas feitas. 

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Adicionemos a lista itens como roupas, sapatos e bolsas. E, por último, algo que vem crescendo ano após ano: a indústria do bem-estar, com seus produtos para a pele, massagens, cursos pagos de meditação, etc. Homens, quando muito, frequentam academias ou algum esporte.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.