Salário mínimo abaixo da inflação: Como isto impacta o seu poder de compra?

Pontos-chave
  • Poder de compra do trabalhador brasileiro foi reduzido nos últimos anos;
  • Piso nacional é reajuste com base no INPC;
  • Lei do salário mínimo foi homologada em 2007 no governo de Lula.

É fato que a inflação afeta diretamente o poder de compra dos trabalhadores brasileiros com o decorrer do tempo, especialmente quando o salário mínimo não faz jus à real necessidade e ao cenário econômico atual. 

Salário Mínimo abaixo da inflação: entenda como isto impacta o seu poder de compra
Salário Mínimo abaixo da inflação: entenda como isto impacta o seu poder de compra. (Imagem: FDR)

No acumulado dos últimos 26 anos, o real perdeu 84% do poder aquisitivo, com uma inflação acumulada em 524,93%. 

Uma consequência disso é a cédula de R$ 100, por exemplo, que agora tem a capacidade de custear apenas 16% do que comprava em julho de 1994. Para que o trabalhador brasileiro tenha condições de comprar uma quantidade de bens e serviços o bastante para a sobrevivência, o reajuste anual do salário mínimo se tornou obrigatório desde junho de 2007.

Com base neste cenário, o matemático financeiro, José Dutra Vieira Sobrinho, realizou um levantamento exclusivo a pedido do InvestNews, capaz de mostrar que, durante os mesmos 26 anos nos quais o real perdeu o poder de compra, o salário mínimo superou a inflação.

Tendo em vista que a taxa inflacionária está acumulada em 524,93%, neste mesmo período a valorização do salário mínimo foi de R$ 1.512,90%.

O levantamento considerou um salário mínimo inicial de R$ 64,79 em julho de 1994, e um piso nacional final de R$ 1.045 em 2020. Tendo em vista o aumento pontual do salário contra a inflação no período mencionado, o poder de compra do brasileiro também cresceu. Isso quer dizer que, o consumo de bens e serviços foi bem aproveitado no decorrer do tempo, mesmo com a desvalorização do real.

Distinções nos reajustes salariais

Até o ano de 2008, era responsabilidade do presidente da República em parceria com o Congresso Nacional, estabelecer os critérios voltados ao reajuste do piso salarial. Na oportunidade, o economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, alegou que várias centrais sindicais e associações entraram em jogo em meio aos debates sobre o reajuste, alegando a produtividade do ano em questão. 

Na época, as correções e acompanhavam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador usado no lugar do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidos oficial da inflação do consumidor brasileiro. 

O motivo está relacionado ao fato de que ele era capaz de apontar com mais precisão a variação do custo médio de vida das famílias com renda mensal entre um e cinco salários mínimos.

Além do uso do INPC como base de cálculo, alguns sindicatos e categorias sugeriram ganhos acima da inflação. No entanto, não havia uma lei que exigisse o governo a buscar outros indicadores além da inflação para estabelecer o reajuste salarial. 

A Lei do Salário Mínimo, de número 11.498, foi criada durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a tornou uma política pública. Assim, as atualizações anuais do salário mínimo passaram a considerar sempre o INPC mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. 

Com o INPC se tornou possível repor o poder aquisitivo do salário mínimo. E com base no crescimento da economia, o cálculo considerava o ganho real, ou seja, acima da inflação. E mesmo que o PIB estivesse em um patamar negativo em virtude de crises econômicas, o cálculo considerava o PIB zero. 

Alguns anos mais tarde, em 2010, o governo de Lula se empenhou na criação de uma política permanente de valorização do piso nacional até 2019, com a possibilidade de prorrogação até 2023. Tratava-se da Lei nº 12.255, mas que não vingou. 

No atual governo, presidido por Jair Bolsonaro, o reajuste do salário mínimo também passou por algumas mudanças relevantes. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem tentado implementar uma política de corte de gastos na máquina pública. 

Por consequência, o principal afetado foi o reajuste do salário mínimo que passou a ser feito de forma nominal, em outras palavras, sem ganhos reais, e levando em consideração somente o INPC. 

Em complemento, Galhardo explica que, “Guedes decidiu não aumentar o salário mínimo em termos reais, porque para ele o principal problema do brasileiro são as contas públicas e o impacto que a Previdência tem nisso”.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.