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Velhice é doença? OMS volta atrás após polêmica

Por Laura Alvarenga
17 de dezembro de 2021
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Após intensa pressão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou atrás na decisão de classificar a velhice como doença na nova versão da Classificação Internacional de Doenças (CID 11), que passa a vigorar em janeiro do ano que vem. A alteração foi confirmada pelo diretor da entidade ao presidente do Centro Internacional de Longevidade.

A proposta original tinha o objetivo de substituir a senilidade já existente na CID, por “velhice sem menção de psicose; senescência sem menção de psicose; debilidade senil”. No entanto, a reprovação foi de que, ao assinar um atestado ou diagnóstico, o médico teria autonomia para atestar a velhice como doença. 

Agora, a sugestão agora é que o texto do código considere como “declínio da capacidade intrínseca associado ao envelhecimento”. No entanto, é possível que o tema passe por novas alterações até a passagem do ano. 

É importante explicar que o CID consiste em um conjunto de 55 mil códigos utilizados por profissionais da saúde, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, e que agora está em sua 11ª atualização. 

A princípio, pode ser uma mudança sutil, no entanto, especialistas com uma certa idade alegam que ela tem o poder de amenizar os ânimos da comunidade internacional. Por esta razão, nos últimos meses foram realizadas uma série de mobilizações por meio de governos, sociedades médicas e entidades ligadas ao envelhecimento em diversos países, incluindo o Brasil.

A análise é de que, vincular a velhice à doença, poderia prejudicar os diagnósticos de doenças em pessoas com uma idade mais avançada, impedindo o registro correta das causas de mortes, além de se caracterizar como discriminação à população idosa.

De acordo com o médico e gerontólogo brasileiro, Alexandre Kalache, em entrevista à Folha de S.Paulo, a decisão agora “coloca um freio no idadismo que iria atingir vários níveis sem precedentes”. Desta forma, toda a população conquistaria o rótulo de velhos e, pela crença ou tradição, se é velho, deixa se acabar e morrer, não sendo preciso fazer diagnósticos.

No Brasil, 3 entre 4 mortes acontecem a partir dos 60 anos de idade por meio de desfechos de doenças cardiovasculares, oncológicas e neurológicas. No entendimento do médico Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, com base na proposição inicial em torno do código, todos os óbitos futuros dessa faixa etária poderiam morrer tendo como causa catalogada a velhice.

Laura Alvarenga

Laura Alvarenga

Laura Alvarenga é uma jornalista apaixonada pela escrita, iniciou sua trajetória ainda como estagiária no setor de redação jornalística e publicitária. Após se formar em 2018, ela aprimorou suas habilidades no Jornal Gazeta do Triângulo, onde realizou o sonho de trabalhar em um jornal impresso, e depois no Jornal Contábil, onde mergulhou no fascinante mundo do SEO, redação e produção de vídeos. Desde 2021, Laura se dedica o portal FDR, especializada nas editorias de direitos, benefícios e renda. Além disso, como co-fundadora de uma agência de marketing digital e produção audiovisual, ela harmoniza seu talento jornalístico com sua visão inovadora, criando conteúdos que cativam e informam. Sua rede social é: @lauraalvarengads

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