Velhice é doença? OMS volta atrás após polêmica

Após intensa pressão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou atrás na decisão de classificar a velhice como doença na nova versão da Classificação Internacional de Doenças (CID 11), que passa a vigorar em janeiro do ano que vem. A alteração foi confirmada pelo diretor da entidade ao presidente do Centro Internacional de Longevidade.

A proposta original tinha o objetivo de substituir a senilidade já existente na CID, por “velhice sem menção de psicose; senescência sem menção de psicose; debilidade senil”. No entanto, a reprovação foi de que, ao assinar um atestado ou diagnóstico, o médico teria autonomia para atestar a velhice como doença. 

Agora, a sugestão agora é que o texto do código considere como “declínio da capacidade intrínseca associado ao envelhecimento”. No entanto, é possível que o tema passe por novas alterações até a passagem do ano. 

É importante explicar que o CID consiste em um conjunto de 55 mil códigos utilizados por profissionais da saúde, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, e que agora está em sua 11ª atualização. 

A princípio, pode ser uma mudança sutil, no entanto, especialistas com uma certa idade alegam que ela tem o poder de amenizar os ânimos da comunidade internacional. Por esta razão, nos últimos meses foram realizadas uma série de mobilizações por meio de governos, sociedades médicas e entidades ligadas ao envelhecimento em diversos países, incluindo o Brasil.

A análise é de que, vincular a velhice à doença, poderia prejudicar os diagnósticos de doenças em pessoas com uma idade mais avançada, impedindo o registro correta das causas de mortes, além de se caracterizar como discriminação à população idosa.

De acordo com o médico e gerontólogo brasileiro, Alexandre Kalache, em entrevista à Folha de S.Paulo, a decisão agora “coloca um freio no idadismo que iria atingir vários níveis sem precedentes”. Desta forma, toda a população conquistaria o rótulo de velhos e, pela crença ou tradição, se é velho, deixa se acabar e morrer, não sendo preciso fazer diagnósticos.

No Brasil, 3 entre 4 mortes acontecem a partir dos 60 anos de idade por meio de desfechos de doenças cardiovasculares, oncológicas e neurológicas. No entendimento do médico Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, com base na proposição inicial em torno do código, todos os óbitos futuros dessa faixa etária poderiam morrer tendo como causa catalogada a velhice.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.