Auxílio Brasil: Novo grupo recebe hoje (18), mas 29 milhões ficam fora do programa

Assim como a liberação do auxílio emergencial gerou aglomerações nas portas das agências da Caixa Econômica Federal (CEF), o mesmo aconteceu nesta quarta-feira, 17, com o início do Auxílio Brasil. As agências de Salvador, Recife, Belo Horizonte e Goiânia foram algumas cuja situação esteve mais crítica. Hoje, 18, recebem aqueles com NIS final 2 que estariam dentro do Bolsa Família. 

Auxílio Brasil: Novo grupo recebe hoje (18), mas 29 milhões ficam fora do programa
Auxílio Brasil: Novo grupo recebe hoje (18), mas 29 milhões ficam fora do programa. (Imagem: FDR)

Em parte, o tumulto é provocado não apenas pela busca da primeira parcela do Auxílio Brasil, mas também porque estes são os últimos dias de saques da sétima parcela do auxílio emergencial.

Em meio a esta transição, vários cidadãos permanecem na dúvida sobre o direito ou não a ser incluído no novo programa de transferência de renda. 

A rodada do auxílio emergencial de 2021 conseguiu amparar mais de 39 milhões de brasileiros, mas somente uma pequena parcela, mais precisamente de 14,6 milhões, foi incluída na fase inicial do Auxílio Brasil.

De acordo com um levantamento feito pela Rede Brasileira de Renda Básica, o fim do programa é responsável por deixar cerca de 29 milhões de brasileiros sem nenhum auxílio financeiro. 

Especialistas alegam que a abrangência do Auxílio Brasil deveria ser maior, porém, a negligência do poder das políticas públicas foi evidenciado nesta severa seleção.

O presidente da Rede Brasileira de Renda Básica, Leandro Ferreira, lembrou em entrevista concedida ao Jornal Nacional, sobre a importância em compreender a gravidade da situação de pobreza na qual o país se encontra atualmente, a qual foi agravada junto ao mercado de trabalho pela pandemia da Covid-19.

“A necessidade de expandir essas transferências de renda estava colocada desde o primeiro dia da pandemia. É preciso aproximar as transferências, como a do Bolsa Família, de uma renda básica e caminhar na incorporação de um número maior de beneficiários”, afirmou Leandro.

O mesmo entendimento acompanha o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri. Ele argumentou que esta transição na transferência de renda é responsável por aumentar ainda mais a pobreza do país enquanto enfraquece a economia do país.

O pesquisador também pondera como os programas sociais têm influência sobre o Produto Interno Bruto (PIB). 

Segundo Marcelo Neri, a cada real gasto com o Bolsa Família ou o Auxílio Brasil, é responsável por gerar R$ 1,80 se tratando do PIB. Desta maneira, quando há o corte de recursos, essas pessoas deixam de gastar, de consumir, fazendo com que o cenário econômico do Brasil retroceda cada vez mais. 

Em defesa, o Ministério da Cidadania declarou que há chances de o Auxílio Brasil ser ampliado para 17 milhões de famílias em dezembro.

A pasta também assumiu o compromisso de ampliar o alcance das políticas socioassistencialistas, com o propósito de superar com eficácia a situação de pobreza e minimizar cada vez mais os efeitos da desigualdade.

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Laura Alvarenga
Laura Alvarenga é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia - MG. Iniciou a carreira na área de assessoria de comunicação, passou alguns anos trabalhando em pequenos jornais impressos locais e agora se empenha na carreira do jornalismo online através do portal FDR, onde pesquisa e produz conteúdo sobre economia, direitos sociais e finanças.