Cesta básica chega a R$ 700 comprometendo mais que a metade do salário mínimo

Pontos-chave
  • Cesta básica aumenta e fica em torno de R$ 700;
  • Valor do atual salário mínimo se mostra insuficiente diante da inflação;
  • População precisa reajustar suas contas em 2022.

Valor da cesta básica sofre novas modificações preocupando os brasileiros. Na última semana, um levantamento do Dieese revelou que o conjunto de alimentos está sendo vendido em torno de R$ 700. Trata-se de um dos maiores preços da década, mediante o atual contexto de inflação e novo coronavírus.

Cesta básica chega a R$ 700 comprometendo mais que a metade do salário mínimo (Imagem: FDR)
Cesta básica chega a R$ 700 comprometendo mais que a metade do salário mínimo (Imagem: FDR)

O simples ato de ir às compras se transformou em uma grande dor de cabeça para parte significativa da população. Diante do atual cenário de crise econômica, a cesta básica já ultrapassou os R$ 700. Seu valor é superior a 50% do atual salário mínimo que se encontra fixado em R$ 1.100.

Mudanças na cesta básica

A venda dos alimentos permanece em alta com relação aos seus preços. Segundo o Dieese, atualmente o salário mínimo é cinco vezes inferior que o necessário para manter uma família de até quatro pessoas.

Em matéria exclusiva, o Jornal Nacional ouviu alguns brasileiros que relataram as dificuldades na hora de gerenciar as contas da casa. Trabalhador autônomo, José Helenildo contou ao JN que apesar do aumento no valor dos produtos, sua renda permanece a mesma, ou seja, foi preciso reduzir os itens do carrinho.

“Só numa comprinha dessa daqui, com certeza. Antes, você pagava num pacote de arroz R$ 9, R$ 10. Agora você está pagando R$ 17”, compara.

A renda mensal de Helenildo gira em torno de um salário mínimo. Então, ao fazer feira, ele compromete cerca de 55% desse valor. A quantia restante deve ser destinada para aluguel, energia, água, luz, internet e demais despesas de saúde e educação.

Indicativos por estado

Conforme levantou o Dieese, das 17 capitais nacionais, 16 tiveram aumentos em torno dos R$ 700. A região com a comercialização mais cara é Florianópolis. Na sequência vem Brasília (31,65%), Campo Grande (25,62%), Curitiba (22,79%) e Vitoria (21,37%).

Já os locais com uma mínima queda foi a capital de Pernambuco, Recife, onde os produtos baixaram em 0,85% e vem sendo vendendo por R$ 485,26. Nas demais regiões do Nordeste o encarecimento segue essa ordem:  Fortaleza (563,96), Belém (538,44), Natal (504,66) e João Pessoa (491,12). As mais baratas são de Aracaju (R$ 464,17), Recife (R$ 485,26) e Salvador (R$ 487,59).

Lista dos produtos mais caros por região

  • A batata, pesquisada nas capitais do Centro-Sul, apresentou alta nas 10 cidades e as taxas oscilaram entre 15,51%, em Brasília, e 33,78%, em Florianópolis. A chuva causou dificuldade na colheita e reduziu a oferta, o que elevou o patamar de preços no varejo.
  • O preço do quilo do café em pó subiu em 16 capitais, com destaque para as variações de Vitória (10,14%), Rio de Janeiro (10,06%), Campo Grande (9,81%) e Curitiba (9,78%). A geada do final de julho e a estiagem prolongada comprometeram a oferta do grão, o que levou à alta do preço no varejo. Houve ainda influência da baixa oferta global de café e das elevadas cotações externas.
  • O quilo do tomate registrou aumento de preço em 16 capitais. As maiores altas foram observadas em Vitória (55,54%), João Pessoa (44,83%), Natal (42,16%), Brasília (40,16%) e Campo Grande (32,69%). A maturação lenta do fruto reduziu a oferta e os preços subiram.
  • O valor do açúcar aumentou em 15 capitais e as altas oscilaram entre 0,27%, em João Pessoa, e 7,02%, no Rio de Janeiro. Em Aracaju, o preço não variou e houve redução em Natal (-0,25%). Menor oferta e alto volume exportado explicaram as elevações dos preços.
  • O óleo de soja registrou alta em 13 das 17 capitais, entre setembro e outubro. Os maiores aumentos ocorreram em Vitória (3,22%), Brasília (2,40%), Campo Grande (2,16%), Rio de Janeiro (1,81%) e São Paulo (1,76%). As retrações mais importantes foram as de Natal (-0,90%) e Aracaju (-0,49%). O crescente volume exportado e a valorização do preço do petróleo, que elevou a procura pelo biodiesel (cujo insumo é o óleo de soja), reduziram a oferta e contribuíram para o aumento dos preços.
  • O leite e a manteiga apresentaram elevação de preço em 11 capitais. As altas mais expressivas da manteiga ocorreram em Vitória (5,18%) e em Salvador (2,72%). Para o leite, os maiores aumentos foram registrados em Campo Grande (2,98%) e Belém (1,78%). Os elevados custos de produção seguiram pressionando o valor do leite no campo, mesmo com maior oferta.
  • O preço do feijão recuou em 11 capitais. O tipo carioquinha, pesquisado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, registrou queda em nove capitais, de -2,73%, em Fortaleza, a -0,13%, em São Paulo. As altas ocorreram em Belém (1,46%), Campo Grande (0,83%) e Salvador (0,54%). Já o custo do feijão preto, pesquisado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, diminuiu em Porto Alegre (-1,33%) e Curitiba (-1,00%) e aumentou em Vitória (1,14%), Rio de Janeiro (0,73%) e Florianópolis (0,36%). Apesar do período de entressafra, a queda da demanda, devido aos altos patamares de preço, influenciou a redução de valores no varejo.
  • A carne bovina de primeira teve o preço reduzido em nove capitais. O motivo principal foi a queda na exportação, provocada pela sanção da China à carne brasileira. As capitais onde o preço do produto mais caiu foram Vitória (-1,17%) e Goiânia (-0,76%). As altas mais importantes ocorreram em Florianópolis (3,65%), Rio de Janeiro (2,28%) e Curitiba (1,32%).

Fonte: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Jornal Nacional.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.